Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

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quinta-feira, 29 de maio de 2014

A cegueira de alguns petistas



 Por: Silvério da Costa Oliveira.

Recentemente tenho pensado muito sobre o atual governo federal, sobre o PT no poder no Brasil e sobre aqueles que usam as redes sociais para defender o partido, mesmo contra todo bom senso e negando de ver os escândalos divulgados pela mídia. Penso que aqueles que torcem pelo PT como se seu time de futebol fosse, sofrem de cegueira seletiva, vivem no mundo do passado, com medo do futuro. O que governos anteriores possam ter feito ou deixado de fazer não justifica o que este governo faz ou fez.
 Alguns teimam em usar de uma seletividade imaginária entre quem é ou não do seu partido, no entanto, penso que política não deve ser vista como time de futebol ou escola de samba para torcemos de coração pelo nosso partido. Quando o cara é bandido, corrupto, ladrão ele o é independente de partido e a verdadeira maturidade política diz que devemos separar as maçãs podres do cesto. Não é negando escândalos como o da refinaria de Pasadena que resolvemos a questão. Se tais escândalos fossem do PSDB ou de qualquer outro partido os petistas estariam berrando, mas já que os mesmos ocorrem no PT há uma cegueira seletiva. Que país que iremos construir assim? Quero o PT fora porque ele é nocivo para o país e não para os interesses de uma classe ou grupo qualquer e esta nocividade é visível para qualquer um que acompanhe os fatos políticos que estão aí para todos verem.

Porque alguns indivíduos ditos petistas só falam no passado? Por acaso qualquer coisa de errado que qualquer governo tenha feito desde a fundação deste país irá inocentar ou redimir toda esta roubalheira, bandalheira, corrupção e desgoverno que vemos neste PT da Dilma? Algo que o imperador D. Pedro I ou II tenha feito encobre Pasadena ou o mensalão? Cadê a maturidade? Volto a afirmar que política não pode ser encarada como futebol, não estamos aqui para defender nosso time de futebol ou nossa escola de samba. Qual o interesse em manter esta cegueira seletiva em relação ao momento presente e a tudo se referir ao passado? Aqui e agora eu não quero um governo corrupto e incompetente, não importa qual partido ou pessoa esteja à frente.
Que cessem os petistas com sua cegueira seletiva que transparece quando defendem seu partido como a um time de futebol ou uma escola de samba. Que cesse o governo PT Dilma em 5 de outubro de 2014 pela maturidade nas urnas dos não cegos. Que cesse, por favor, a defesa do indefensável.
O mais chato é observarmos que algumas pessoas não querem ver o óbvio que é esta roubalheira, estes escândalos, o mensalão, Pasadena e tantos outros. De fato, penso que é difícil ver alguém defendendo o indefensável, dá um embrulho no estômago. Acho tão absurdo que quando vejo isto em alguma rede social, chego mesmo a chamar outros amigos para verem o teor destes debates improdutivos. Meus amigos sempre são bem vindos ao debate e se tudo correr bem, após 5 de outubro haverá uma salutar mudança no governo federal.
A realidade do Brasil é desta para pior, basta olhar a sua volta. É como digo, só não vê a realidade quem tem interesses particulares a defender ou quem adota uma cegueira seletiva.
Se defender a verdade e questionar a integridade, honestidade, capacidade e competência de um governo mergulhado em tantos escândalos, como o mais recente de Pasadena ou o mensalão dentre muitos outros e pedir um governo novo e honesto pode fazer a pessoa parecer ser um tolo, como alguns mais radicais postam em redes sociais, então é preferível ser um tolo convicto, pois, é preferível ser um tolo a aceitar esta realidade cruel sem nada fazer para mudá-la. Nossos avós diziam que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", portanto, continuemos sendo um tolo jogando água contra este desgoverno.
O problema não é uma determinada classe ou grupo social, como alguns petistas mais radicais querem fazer crer em postagens em redes sociais. Ocorre que este desgoverno é danoso para a nação. No caso em particular, por exemplo, da polícia federal, esta vem sendo impedida de investigar e trabalhar contra a corrupção do próprio governo e vem em uma seqüência de manifestações e tentativas de negociação, buscando não meramente aumento, afinal, policiais federais não ganham mal, o problema são as condições de trabalho e a necessidade de uma reestruturação da categoria para colocar a mesma nos moldes do FBI norte americano, tornando o departamento mais eficiente e atuante e empregando ao máximo os seus recursos humanos.
Caros amigos, se a Copa que está aí não tem o resplendor que merece é porque os escândalos do PT a estão encobrindo. Não vejo de modo diferente, penso sim que a alegria dos brasileiros pensantes foi em parte roubada por esta quadrilha que está aí no governo, vide Pasadena, o Mensalão e os dólares na cueca dentre muitos outros. Não há necessidade de gritar, basta argumentar se tiver argumentos sólidos. Eu não dissemino inverdades sobre o PT e não me venham com esta do PT versus o capital que não sou uma criança intelectual. Tenho plena consciência do que faço e do que este desgoverno vem fazendo ao nosso país. Eu não minto e seria deselegante ao oponente falar que minha trajetória intelectual será manchada pelo simples fato de expor minha opinião sobre este governo do PT, na verdade, se algo está sendo manchado é a imagem do PT e quem a está maculando é o próprio partido. Deixem de cegueira seletiva. Se um petista visse tudo isto feito pelo PSDB ou por qualquer outro partido, este seria o primeiro a gritar e não comigo.
É, meus amigos, isto tudo é falta de educação em um país de faz de conta onde à presidenta tem em seu currículo ter sido uma terrorista e que corre o risco de ser re-eleita apesar dos diversos escândalos em sua administração e pior, ainda encontramos pessoas que pintam de intelectual para defender este desgoverno e negar a verdade mais óbvia.
 Claro que sei que com algumas pessoas e com alguns petistas não tem argumento que funcione, não querem ver a realidade, quebram as regras do bom diálogo e saem cantando vitória, chegam mesmo a lembrar aquele pombo da anedota, que pousa no tabuleiro de xadrez, derruba as pedras, faz sujeira e depois grita que venceu.
Antes que comecem a tacar pedras neste ilustre amigo anti-petista que agora vos escreve, devo deixar bem claro que só falei o que penso, expressando minha opinião sobre fatos amplamente divulgados nas mídias, portanto, não mandem pedras, pois, a César o que é de César. Em verdade e pelo que tem sido exaustivamente veiculado pela mídia, escândalo após escândalo, se continuar assim por mais um mandato, a expressão "PT" vai acabar virando gíria para algo ruim, algo pejorativo, ser ladrão, corrupto, dizer uma coisa e fazer outra e por aí em diante. Daqui há alguns anos, se quiser ofender alguém na rua, basta gritar para o cara: "Vc é um grande PT".
Concordo plenamente com aqueles que, intranqüilos com a atual situação, expressam suas opiniões, seja pessoalmente ou por meio das redes sociais, pois, pelo menos a nossa parte faremos para nos livrar desta situação anacrônica que o PT nos trouxe.
O que eu não entendo é porque alguns petistas em redes sociais, se comportam de modo bizarro, pois, assumem a postura de reclamar dos argumentos de quem não vai votar no PT, mas eles próprios não tem argumentos viáveis. Usando-me de uma metáfora, parece-me que tais pessoas vestem a camisa do Vasco e vão para o meio da torcida do Flamengo gritar gol durante o jogo. Não acho isto muito sadio.
Até uma criança percebe o que ocorre neste país e não precisa títulos, basta querer ver, como dizem, só não vê quem não quer ver por algum motivo. Todos meus amigos no meu Face sabem que sou contra o atual desgoverno PT, contra Pasadena, o mensalão, os dólares na cueca, o esvaziamento e sucateamento da polícia federal e outras mazelas deste governo federal encabeçado pelo PT e Dilma. Me digam, por favor, meus amigos, por acaso eu falei alguma mentira? Por acaso sou eu que estou tentando denegrir a imagem deste governo PT ou é o próprio governo que tem o hábito de mergulhar de corpo inteiro na lama mais suja?
Há ainda os que misturam “alhos com bugalhos” e acabam defendendo a legalização das drogas, maconha em particular, e as restrições mais severas impostas pelo estatuto do desarmamento. Se alguém quiser defender a legalização das drogas é problema desta pessoa, mas minha honestidade e ética profissional me proíbem de o fazer. O caminho da vida é um e o da morte é outro, o das drogas está associado a este último. Quanto à questão das armas, a lei está aí e foi aprovada, mas nada impede que cada cidadão tenha sua própria opinião a respeito e que futuramente outras leis venham a abordar o mesmo tema. Eu particularmente entendo que não se deve desarmar a população e sim os bandidos. Se o bandido tem certeza que as pessoas de bem estão desarmadas, seja na rua ou em suas casas, este tende a ter mais confiança de que não haverá reação e poderá agir impunemente. Neste tocante sou mais favorável à visão norte americana sobre a compra e porte de armas.
Se a pessoa quer se iludir com este desgoverno é uma coisa, mas inverter tudo que é dito por todos é outra bem diferente. Porque inverter tudo o que é dito e querer transformar heróis em bandidos e bandidos em heróis? A César o que é de César, caros amigos. Para tudo é necessário argumentar e o que vejo por parte de alguns defensores petistas nas redes sociais é que seus argumentos são de fato muito fracos, fogem do tema em questão e por vezes citam autores meramente por citar, o que de fato não é prova de erudição ou sapiência.
Mas cabe encerrar pedindo calma a todos, em particular nas redes sociais, pois, é meu entendimento que mesmo que pensemos que temos de tirar o PT do poder e que este partido não terá nosso voto, não adianta brigar e perder a amizade com quem simplesmente não enxerga a verdade ou está iludido. Que cada um expresse sua opinião com liberdade e bons argumentos, mas que não ocorram brigas entre amigos presenciais ou virtuais motivadas pelo que os políticos possam fazer ou deixar de fazer ou por qual candidato possa ser eleito neste próximo pleito.

Pergunta: Em quem você vai votar em outubro de 2014? Porque desta escolha?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

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22- Doutor Silvério fala sobre as drogas – 1


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14- Doutor Silvério: Entrevista no programa da LBV


13- Discrinto: Discriminação e intolerância


12- Doutor Silvério fala sobre as leis do sucesso de Napoleon Hill


11- Doutor Silvério fala sobre os ácidos e o LSD-25


10- Doutor Silvério fala sobre: “O ópio, a morfina e a heroína”


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8- Doutor Silvério fala sobre: “A maconha”


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6- Doutor Silvério fala sobre: “Sobre os sofistas do século XXI”


5- Doutor Silvério fala sobre: “Preparação e ação, do bizarro ao grotesco”


4- Doutor Silvério fala sobre: “Nietzsche”


3- Doutor Silvério fala sobre: “Os filósofos pré-socráticos: uma releitura crítica”


2- Doutor Silvério fala sobre: “Pedofilia e abuso sexual de crianças e adolescentes”


1- Doutor Silvério fala sobre: “Apresentação dos sites”

sábado, 5 de abril de 2014

Eis o que eu penso sobre este atual governo PT

Eis o que penso eu, Silvério, sobre a atual situação deste desgoverno:
Caríssimos amigos, colegas e companheiros, se fosse tão simples assim se livrar desta coisa absurda intitulada PT, se bastasse apenas fazer uma lobotomia eu a recomendaria agora mesmo para todos os meus conhecidos que ainda vivem no mundo da ilusão, dentro da caverna de Platão, acreditando em suas vãs inocências que devem defender o PT e a Dilma, se negando a ver a verdade, pois se não o fizessem não seriam intelectuais ou algo assim como ovelhas em um rebanho todo branquinho sonhando serem vermelhas. Não querer ver a corrupção e a ladroagem, não querer enxergar que esta "democracia" que cala bocas é em verdade uma ditadura branca, negar os sucessivos escândalos de má administração e desvio de verbas como os vinculados a PETROBRÁS, negar que o PT da moral e ética deixou de existir quando ganhou a primeira eleição presidencial e se transformou no pior governo que já tivemos neste país onde nunca se roubou tanto em tão pouco tempo. Eu sou pela democracia e pelo direito de falar e não pelo cala boca imposto. Eu sou pela honestidade e retidão e não por esta lama de esgoto na qual este partido vem transformando este país.
Cabe deixar claro que a conta está sendo paga agora por meio de roubo aos cofres públicos e uma má administração que, dentre outras coisas nefastas, derruba a PETROBRAS. Este governo é uma ditadura branca e só não enxerga quem não quer por estar ganhando com isto, e muito, ou quem está iludido em um mundo de ilusões. Quanto a situação do Departamento de Polícia Federal, cabe salientar o seguinte e deixar isto muito bem claro para que não paire dúvidas, não é que determinado órgão ou grupo de pessoas não queira ganhar mais, todos querem algum aumento independente de quanto ganhem e isto é normal para todas as categorias, no entanto, cabe frisar que a polícia federal não está fazendo alarde unicamente para ganhar uns trocados a mais, não é isto, pretende-se uma reformulação total do sistema de segurança pública no país, modernizando-o. Busca-se uma reforma que coloque a polícia federal dentro do modelo e padrão FBI para que esta possa combater a corrupção de modo mais eficaz, mas isto não interessa ao governo. O governo nega as reivindicações da polícia federal, ignora os sucessivos pedidos de reestruturação da categoria e modernização da polícia e fala que não dará aumento, fazendo ouvidos de mercador, ignorando tudo que é falado e querendo fazer a população crer que se busca pura e simplesmente aumento, o que não é verdade, se bem que a sete (7) anos não haja reajuste e que a constituição determine reajuste anual. A verdade é que para um governo corrupto e ladrão não interessa uma polícia federal forte e eficiente para prender os petistas e seus associados, interessa, sim, uma ABIN forte e com muitos investimentos governamentais, pois, este órgão muni o governo de informações para se manter governo. Interessa calar a mídia, calar as vozes em contrário. Interessa trancar a Internet, evitar que por algum meio alguém fale a verdade sobre este governo, que não é de esquerda, que não é socialista ou comunista, é simplesmente um bando de ladrões querendo se perpetuar no poder comprando votos por meio de investimento forte nas faculdades particulares usando dentre outros meios o FIES e pela compra de votos por meio da bolsa família dentre outras bolsas. Dê uma esmola e roube o restante, só que quem paga imposto neste país não merece ser assim roubado e cabe sim pedir o nosso dinheiro de volta. www.doutorsilverio.com

Pergunta: O que você pensa sobre os fatos ocorridos neste governo?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Discrinto: Discriminação e intolerância como base para os fenômenos do assédio moral, harassment, ijime, whistleblowers, mobbing e bullying dentre outros



OLIVEIRA, Silvério da Costa. “Discrinto” (discr-into ou into-discri = discriminação + intolerância): Discriminação e intolerância como base para os fenômenos do assédio moral, harassment, ijime, whistleblowers, mobbing e bullying dentre outros.. Rio de Janeiro: [s.n.], 2013. xx p. Disponível em: <www.doutorsilverio.com>. Acesso em:

Sobre o autor
Silvério da Costa Oliveira é Doutor – Ph.D. e Mestre em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia, possui a Licenciatura Plena em Psicologia e a Licenciatura Plena em Filosofia, possui a Licenciatura pelo MEC em História e Sociologia, autor de vários livros e artigos, conferencista. Sua formação está estruturada sobre três pilares: a Filosofia, a História e a Psicologia.

Título: “Discrinto” (discr-into ou into-discri = discriminação + intolerância): Discriminação e intolerância como base para os fenômenos do assédio moral, harassment, ijime, whistleblowers, mobbing e bullying dentre outros.
Tema: bullying; assédio moral; mobbing
Autor: Silvério da Costa Oliveira.

Palavras chaves
Bulliyng; cyberbulliyng; assédio moral; mobbing; harassment, ijume, whistleblowers; discriminação; intolerância;

Resumo do texto
Procura-se fornecer uma melhor denominação em língua portuguesa para o fenômeno abordado em distintas pesquisas por distintos nomes, tais como: assédio moral, harassment, ijime, whistleblowers, mobbing e bullying dentre outros. Entende-se que tais fenômenos são formados basicamente pela junção da discriminação e da intolerância e que todos se assemelham entre si em sua base de origem. Discute-se tal fenômeno e explica-se como o mesmo se desenvolve e o significado dos diversos nomes dados nas pesquisas que o abordam.

Por: Silvério da Costa Oliveira.
O título deste pequeno artigo, “Discrinto”, é uma proposta de mudança de nome para um fenômeno bem antigo, se bem que as pesquisas sobre o tema sejam recentes, bem como o maior interesse dado pela mídia. O fenômeno aqui abordado recebe diversos e distintos nomes de acordo com o recorte dado pelos pesquisadores ao tema, mas em essência o fenômeno é o mesmo, o que muda é o local onde o mesmo ocorre, a faixa etária das pessoas envolvidas, a cultura predominante, enfim, o recorte dado pelos pesquisadores que tende a favorecer a um determinado termo cunhado por um grupo, visando salvaguardar os direitos autorais sobre a pesquisa. Quando fazemos uso de um termo, fazemos uso de toda uma pesquisa anterior, citando os nomes dos pesquisadores que foram os primeiros a usar o termo fazendo pesquisa nesta área, deste modo, pesquisadores que usam um determinado termo tendem a evitar usar outro pelo simples fato de o outro fazer referência a outros pesquisadores e outras pesquisas sobre o mesmo fenômeno, em verdade, temos aqui mais uma “reserva de mercado” do que distintas coisas sendo pesquisadas.
Quando proponho o termo “Discrinto”, penso que o mesmo é apropriado em língua portuguesa por fazer referência direta a dois conceitos profundamente presentes em todo este fenômeno, independente do nome que tenha sido anteriormente dado ou do local onde o mesmo se dá, pois, por tal termo entendemos a combinação da “discriminação” com a “intolerância” e seu resultado é um somatório de agressões gratuitas e uma série de humilhações impostas a uma pessoa ou um grupo por outras pessoas ou grupos, de modo repetitivo, contínuo, freqüente, intencional e voluntário.

Entendo que este fenômeno, por onde podemos claramente vislumbrar agressões gratuitas físicas e mentais, humilhações, hostilidades diversas, intimidação, perseguição e outras coisas ruins e nada dignificantes da condição humana, está imerso em um mar de discriminação e intolerância, as quais se apresentam como base para os fenômenos que recebem por meio dos pesquisadores diversos nomes de acordo com a abordagem da pesquisa e o enfoque mais específico dado a uma determinada nuance do problema, bem como, questões envoltas em valores culturais que tendem a variar conforme a sociedade, deste modo, por meio da pesquisa francesa, por exemplo, temos o conceito de assédio moral, focado no ambiente de trabalho e onde temos um desnível de poder entre as partes, sendo este assédio visto de modo mais sutil, disfarçado, levando a vítima a ter dúvidas se de fato sofre assédio ou se é incompetente ou louca.
Nos últimos anos este fenômeno tem ganhado cada vez mais presença na mídia e em pesquisas ocorridas ao redor do mundo, sendo que cada grupo de pesquisadores tem feito um recorte próprio neste fenômeno, selecionando uma determinada parte para desenvolvimento de seus estudos e dando um nome particular ao fenômeno a partir do enfoque dado à pesquisa, deste modo, este fenômeno tem sido abordado de diferentes maneiras e recebido distintos nomes, tais como: assédio moral, bullying, cyberbullying, mobbing, etc.
Nas pesquisas norte-americanas temos o termo harassment, que se apresenta como um outro nome para o assédio moral, onde temos aqui ataques repetitivos, intencionais e voluntários visando atormentar a vítima.
Já o ijime, é como o fenômeno se apresenta dentro dos estudos e da cultura japonesa, sendo algo presente tanto no ambiente escolar, como também do trabalho, com a variação que nesta cultura ainda é visto como algo aceito e necessário para manter-se a uniformidade e evitar o individualismo visto como nocivo pela cultura japonesa.
O termo whistleblowers, por sua vez, traz a tona o problema gerado quando aqueles que trabalham em áreas consideradas sensíveis, como, por exemplo, saúde e militar, tendem a exercer sua cidadania alertando a população em geral sobre coisas muito erradas que ocorrem em seus ambientes de trabalho, como, por exemplo, corrupção, violações da lei ou de normas importantes à segurança, práticas desonestas no serviço público, comportamentos apresentados por empresas ou associações que tendam a ocasionar dano a natureza, saúde, segurança, propriedade e a sociedade em geral. Claro está que denunciar o sistema, seja ele qual for, ocasiona represarias e o indivíduo acaba sendo a vítima. Neste caso específico, as agressões sofridas visam primeiramente silenciar o indivíduo, bem como evitar que outros façam o mesmo.
Não poderíamos deixar de falar na modalidade estudada com o nome de mobbing, pois pela mesma os pesquisadores oriundos em geral dos países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Finlândia), da Suíça e da Alemanha entendem o comportamento agressivo e hostil de um grupo para com uma pessoa isolada ou outro grupo menor, deste modo, podemos ver o mobbing como um comportamento grupal presente no ambiente escolar e do trabalho, no qual temos perseguições coletivas e violência subjetiva e física. O termo mobbing tem sido usado quando se trata de um grupo atacando uma pessoa ou outro grupo específico, de forma contínua, freqüente e repetitiva.
Por fim, temos a menininha de ouro da mídia nos tempos atuais, o bullying, termo presente em pesquisas de origem norte-americana e que de início focavam mais o ambiente escolar, onde um ou mais meninos ou meninas tidos como valentões escolhiam uma ou mais vítimas (as pesquisas apontam em média cerca de três vítimas por cada molestador) para agredir e humilhar de modo repetitivo e freqüente, geralmente tais alunos são escolhidos por serem vistos como diferentes do grupo e sem condições de se autodefenderem, não podendo responder em pé de igualdade ao agressor. O termo bullying acabou sendo usado mais em pesquisas envolvendo o ambiente escolar, crianças e adolescentes. Hoje, as pesquisas sobre bullying incluem outros ambientes além do escolar e o termo é freqüentemente usado para agressões no ambiente de trabalho.
Por cyberbullying entendemos o somatório dos ataques feitos com o uso dos meios de informática, tais como mensagens eletrônicas, vídeos, fotos, textos e criação de sites na Internet ou o uso das comunidades e redes sociais para infernizar a vida de uma pessoa ou grupo, depreciando, humilhando, difamando, ameaçando e organizando situações extremamente desagradáveis para a vida de tais pessoas.
Por sua vez o termo assédio moral esteve mais presente em pesquisas envolvendo adultos em seus ambientes de trabalho.
Citei algumas variações com seus respectivos nomes, dentre outros, presentes neste fenômeno, mas cabe destacar e frisar que não importa o nome que seja dado, o que temos sempre presente de modo repetitivo, freqüente e constante é a discriminação de uma pessoa ou grupo de pessoas por serem as mesmas consideradas de alguma forma como diferentes e a intolerância diante destas pessoas, desta diferença e desta situação. A intolerância diante do diferente é tamanha que a este é negada a possibilidade de existência, devendo ser isolado, negado e afastado violentamente do grupo, neste caso vale tudo, desde zombarias a agressões físicas abertas ou sutis e veladas.
Todas as pessoas são diferentes, todos têm a sua individualidade, a qual deve ser respeitada, no entanto, a grande maioria tem medo de ser diferente e prende-se a idéia de ser igual a todos os demais integrantes de seu grupo social. Uma forma de unificar os laços sociais e afetivos presentes entre os integrantes de um grupo social é contrapor seus integrantes a outros que sejam diferentes do grupo, ao afirmar esta diferença, destacando-a, reforçar a ilusão de igualdade presente no grupo social. Deste modo, tanto a um indivíduo, como também a um grupo social minoritário que seja considerado diferente podem advir conseqüências bem desagradáveis, gerando dor, sofrimento e mesmo a morte.
Neste fenômeno temos de destacar o aspecto repetitivo do mesmo que o irá diferenciar de situações outras, onde mesmo havendo agressões a um indivíduo ou grupo não há razões que o justifiquem incluir como parte integrante do fenômeno em análise. Presente ao fenômeno teremos a possibilidade de agressões físicas que podem aumentar em intensidade até provocar danos expressivos ou mesmo a morte da vítima, temos também a presença de situações onde haja explícita ou implícita intimidação, presença de ameaças, depreciação, exclusão de participação em atividades do grupo, etc.
O que faz com que alguém seja vítima é o fato desta pessoa ou grupo social ter determinadas características que sejam desvalorizadas ou, ao contrário, supervalorizadas e que gerem inveja por parte do grupo social dominante. Deste modo, o alvo escolhido para vítima pode ser uma pessoa muito gorda ou muito magra, muito alta ou muito baixa, que faça uso de alguma coisa que a torne diferente (óculos de grau, aparelho nos dentes, colete ortopédico, etc), com características de personalidade que a coloquem em um extremo de timidez e introversão ou seu completo oposto, pessoas consideradas pelos padrões vigentes como muito feias ou muito belas, pouco ou muito inteligentes, em relação à média.
Vítimas podem desenvolver transtornos, apresentar tentativas de suicídio ou tentativas de vingança contra aqueles tidos como agressores. Temos diversos episódios de pessoas que após terem sofrido episódios nos quais foram constantemente molestados, humilhados e ridicularizados, tentaram se vingar adquirindo armas e atacando diversas pessoas, ocasionando verdadeiros massacres aparentemente sem sentido.
Querendo admitir ou não, este fenômeno se apresenta para a vítima como a imposição de forte agressão e crueldade deliberadamente direcionada para ela por outra pessoa ou grupo social com o claro objetivo de fazê-la sofrer emocional e fisicamente, criando relações de poder onde a vítima é percebida como exercendo um papel social inferior, fraco, vulnerável e com possibilidade de manipular menos e mais fracos instrumentos de poder que seus agressores.
Quanto aos agressores, estes podem agir sozinhos ou em grupos. Pesquisas apontam que grupos de meninas e mulheres tendem mais a optar por comportamentos que levem a exclusão social da vítima escolhida, é comum neste grupo a utilização de boatos, a intimidação por meio de insultos sussurrados ou risos no grupo diante da vítima, destruição da reputação social da vítima, tentativas de afastar outras pessoas do convívio da vítima. Já em meninos e homens é mais comum a agressão física e verbal direta. Claro está que a forma como o grupo agride está diretamente associada à cultura e época histórica em que as pessoas vivem, conforme as mulheres e homens vão se assemelhando culturalmente em nossa sociedade, também seus comportamentos agressivos tendem a tornarem-se mais parecidos.

Podemos falar de um determinado perfil de personalidade que esteja mais propenso aos ataques no ambiente escolar e de trabalho, se bem que basta ser considerado diferente do grupo dominante para ser alvo dos mais degradantes ataques. Como perfil básico das vítimas podemos citar: timidez, ansiedade, insegurança, falta de habilidades sociais, dificuldade de se impor perante o grupo, medo dos agressores e recusa em denunciá-los, baixa auto-estima. Claro está que grupos sociais específicos também são alvo constante de ataques, como, por exemplo: etnias, religiões, preferências sexuais, obesidade, etc.
Para muitas pessoas que mantêm a ilusão do grupo de iguais, ser diferente é uma ofensa imperdoável que merece ser punida da forma mais violenta e horrenda possível, para que não haja margem de dúvida que tal comportamento não é aceitável e mais importante ainda, para deixar claro que os agressores são iguais entre si, normais dentro de seu grupo, e não são semelhantes ao que é diferente. Este, por afirmar a diferença, reforça a ilusão da igualdade e irmandade dentro do grupo.
Para entendermos este fenômeno é necessário a compreensão dos três atores presentes. Os protagonistas desta tragédia social são (1) quem maltrata e agride, (2) a vítima que sofre as agressões e (3) os espectadores do drama. Para mudar esta situação e acabar com tal comportamento inaceitável é necessário trabalhar em cada um destes personagens, propondo novas formas de lidar com situações complexas, com seus próprios sentimentos e com o comportamento e atitude expressado pelas demais pessoas. É preciso que os espectadores parem de assistir calados e indiferentes a estas cenas grotescas de abuso, humilhação, agressão e violência gratuita. É preciso que toda a sociedade diga não a tais comportamentos agressivos e degradantes.
Aqui, por “discrinto”, com os diversos e distintos nomes que fragmentos deste fenômeno recebem em distintas sociedades e culturas por meio de pesquisas e abordagens dadas por pesquisadores diferentes, temos, antes de mais nada, uma patologia social do isolamento e da solidão. A mais eficaz defesa que se pode ter contra tais fenômenos é a formação de grupos de amizade, de alianças construtivas, o encontro de solidariedade. Quanto mais só a pessoa estiver, mais vulnerável aos ataques ela estará, deste modo, estar em interação com o grupo, ter contatos sociais e manter amizades diversas funciona como uma vacina profilática. Os agressores em geral tendem a tentar isolar suas vítimas, privando-as da solidariedade de outras pessoas e destruindo possíveis alianças que esta possa ter, alimentando a rivalidade entre grupos e permitindo ataques sem defesa ou intervenções externas. Alianças certas e uma eficaz rede de comunicação são fortes armas contra a discriminação e a intolerância em todas as formas em que se apresentar.

Pergunta: Você já foi vítima, autor ou participante de alguma cena de forte discriminação e intolerância a uma pessoa ou grupo social?

Bibliografia

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HERIGOYEN, Marie-France. Mal-estar no trabalho: Redefinindo o assédio moral. Trad. Rejane Janowitzer. 5 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010. 352p.
MALDONADO, Maria Tereza. Bullyng e cyberbulling: O que fazemos com o que fazem conosco. São Paulo: Moderna, 2011. 143p.
MOREIRA, Dirceu. Transtorno do assédio moral bullyng.: A violência silenciosa. Rio de Janeiro: Wak, 2010. 240p.
SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullyng: Mentes perigosas nas escolas: Como Identificar e Combater o Preconceito, a Violência e a Covardia entre Alunos. Rio de Janeiro: Objetiva; Fontanar, 2010. 188p.
ZAWADSKI, Mary Lee; MIDDELTON-MOZ, Jane. Bullyng: Estratégias de sobrevivência para crianças e adultos. Trad. Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2007. 152p.
Assédio moral no local de trabalho. Rio de Janeiro: SinproRio – Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região; NUCODIS/DRT-SC, [2010].

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
Escritor, Filósofo, Psicólogo.
Doutor (UERJ) e Mestre (UFRJ/FGV) em Psicologia; Professor universitário.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O camaleão, o carvalho e o arco-íris cor de rosa

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Pensei em ocupar os três reinos, animal, vegetal e mineral, mas por fim optei por destacar o arco-íris no lugar do terceiro elemento simbólico em virtude da força do símbolo no tocante ao que me proponho a aqui explicar. E devo lembrar também que para alguns há a lenda de que no final do arco-íris encontra-se um pote de ouro (mineral), bem, no nosso caso faremos alusão a esta fortuna adjetivando nosso arco-íris como sendo cor de rosa. Claro esta também que existem nomes técnicos para alguns dos quadros clínicos que irei abordar aqui, como, por exemplo, psicopatia ou sociopatia, no entanto, pretendo discorrer de forma mais alegre e menos técnica sobre pessoas com as quais todos nós convivemos no nosso dia-a-dia, mesmo que nem sempre percebamos as nuances mais sutis de seu comportamento.


Pensemos aqui o termo camaleão de modo semelhante ao adotado pela cultura popular quando esta utiliza o termo em referência a camuflagem e mudança de cor de tais animais, adaptando-se e confundindo-se com o meio, tornando-os menos visíveis, como uma característica de algumas pessoas, as quais seriam percebidas socialmente como pessoas volúveis e maleáveis no tocante ao seu comportamento e a facilidade de adaptá-lo ao ambiente no qual transitam. Tal termo pode ter uma conotação negativa, assemelhando-se a falsidade, ou uma conotação positiva, assemelhando-se a flexibilidade, de qualquer modo, este termo está presente coloquialmente em linguagem figurada visando adjetivar qualidades de algumas pessoas. O camaleão humano é um especialista em se confundir com a paisagem, qualquer que seja a paisagem.
O camaleão, figurativamente falando, também pode ser visto como um predador humano, um predador social, que sabe se disfarçar de modo a que as demais pessoas não percebam suas verdadeiras intenções. Camaleões humanos mudam sua cor para se adaptarem a ambientes ou situações, estratégia que os ajuda a passarem despercebidos e poderem agir impunemente. Estamos diante de um caçador, de um predador em busca de sua presa e se não ficarmos atentos seremos nós a vítima. Sua aparente inocência pode esconder grande agressividade.
Camaleões são predadores de pequenos insetos e camaleões humanos são predadores de outros humanos. Eu sou profissional naquilo que faço, o camaleão humano também, só que ele é profissional da enganação, esta é a grande diferença, enquanto os demais profissionais querem mostrar pela sua boa imagem o que de fato são, este busca mostrar quem não é por meio de uma falsa imagem que esconda sua verdadeira natureza, atividade e interesses. Tais pessoas são muito boas em fingirem ser o que de fato não são, por sua vez, as pessoas em geral, mesmo profissionais como, por exemplo, psicólogos e policiais, não são muito boas em perceber de fato quando alguém está mentindo, mesmo acreditando que são capazes de o fazerem. As pessoas procuram monstros horríveis e não cordeiros encantadores e o camaleão sabe ser o que bem quiser na hora em que assim o desejar. Pior ainda se levarmos em consideração que a grande maioria das pessoas acredita piamente que o comportamento privado pode ser previsto a partir do comportamento demonstrado publicamente, o que é um ledo engano do qual o camaleão sempre se aproveita.
Gentileza e simpatia na dose certa e quando necessário for irão muito bem encobrir uma outra esfera não tão agradável de ser observada. Camaleões quando querem possuem uma capacidade natural de demonstrarem publicamente que são pessoas sedutoras, agradáveis, sinceras e honestas, atraindo para si a confiança e por vezes paixão das demais pessoas. As pessoas esquecem ou simplesmente não sabem que gentileza não é um traço de caráter e sim uma decisão consciente que pode ser usada para manipular o comportamento de outras pessoas.
Não somente no sentido criminoso podemos entender tais seres, pois os mesmos estão presentes mesmo nas mais inocentes interações sociais. Um bom exemplo histórico para um camaleão social, se formos buscar uma contribuição na Grécia antiga, seria o general e também estadista Alcebíades, cuja influência perpassou vários Estados, cada qual a sua vez, começando pela cidade Estado Atenas, depois Esparta, em seguida a Pérsia e por fim retornando a Atenas, sempre agraciado pelos seus concidadãos nas cidades onde esteve.
No camaleão humano encontramos o mero prazer da enganação pela enganação e não pelo medo de ser pego sendo o que de fato é, pois a enganação torna-se não somente lucrativa, mas também prazerosa. Nosso camaleão humano é um predador social, mas não necessariamente um criminoso ou algo semelhante. Pode ser alguém estritamente dentro dos padrões das leis vigentes naquele momento histórico no Estado no qual vive, o que tem maior relevância aqui é que seu interesse primário se dá consigo próprio, não havendo qualquer outra consideração com outras pessoas que venha a ocupar um lugar de primazia sobre si-próprio. Em geral o camaleão humano, quando não adentra em atividade puramente ilegais, tende a prosperar e ser bem sucedido e admirado pelos que com ele convivem. Camaleões humanos não sentem remorsos ou preocupação genuína e desapegada por outras pessoas, nem se intimidam diante da possibilidade de sofrerem conseqüências danosas decorrentes de seus atos.
Altamente manipulares, charmosos e sedutores, atraem para si, se assim desejarem, a companhia de pessoas interessantes e socialmente valorizadas. Mesmo aqueles que são por eles enganados e ludibriados, por vezes ainda sentem a sua falta, pois sua presença era importante em  suas vidas, proporcionando-lhes excitação e alegrias. Um camaleão humano não se sente culpado se sua camuflagem nos engana e por meio da mesma tira de nós alguma vantagem, em verdade, o sentimento aqui não é de culpa ou remorso e sim de orgulho pela bela camuflagem que resultou em um perfeito engano para o inseto que foi sua refeição. Tais pessoas podem produzir temor se assim o desejarem, mas em geral fabricam encantamento nas demais pessoas. Não se trata de um vilão e sim de um sedutor camaleão que com seu encanto arrebata a todos, mesmo aos que trai em sua inocência e credulidade.
Camaleões humanos sabem perfeitamente identificar arco-íris cor de rosa humanos como suas potenciais vítimas e grandes carvalhos como lugar de inspiração e abrigo de tempestades sociais. Sabem bem separar o metal sem valor do metal nobre e valorizado. O camaleão precisa saber com que lida, para saber quem ele próprio será naquela situação social. O camaleão sabe estudar suas presas e usar de camuflagem para tornar-se igual ao que as pessoas com quem venha a conviver gostariam de ter como amigo durante sua infância ou adolescência, busca as carências e crenças e se adapta às mesmas vindo a preenchê-las como a pessoa ideal que nós sempre quisemos como amigo.
Podemos também pensar que algumas pessoas se assemelham a um carvalho, árvore tida como símbolo da vida e da evolução em direção a patamares mais elevados. Nos lembra a teoria proposta pelo psicólogo Alfred Adler, na qual o inferior luta em direção a superação de suas inferioridades, tornando seus pontos mais fracos nos mais fortes. A planta do carvalho pode nascer pequena, indefesa e vulnerável, mas com o passar dos anos se torna em um grande, forte e vigoroso carvalho. O grande filósofo Sócrates foi um carvalho humano e como ele, muitos outros, alguns famosos, outros anônimos.


Carvalhos humanos não se curvam facilmente diante de um vendaval, continuam altivos e firmes em seus postos lutando pelo que acreditam ser a verdade e os valores que aceitam como justos. Carvalhos não abandonam o que fazem para meramente salvar suas próprias vidas, pois acreditam que antes precisam salvar seus ideais, fugir não faz parte de sua rotina de vida. Com calma e resistência, deixam claro a todos que não irão desistir, independente do ataque que possam vir a sofrer. Carvalhos um dia terão sua história contada, senão por outro motivo, pela bravura na perseverança em seus ideais.
Um velho carvalho sabe tudo sobre camaleões e arco-íris cor de rosa, bem poderia ser um ou outro se o quisesse e por vezes se questiona se não seria melhor ser um arco-íris cor de rosa humano do que um velho carvalho bem preso as suas raízes, aos seus ideais e formação. Sabe bem que poderia ser um camaleão, mas escolhe ser um carvalho e do alto de suas ramagens vê o embuste da camuflagem do camaleão.


Algumas pessoas se fossem se metamorfosear em algo, este algo seria um arco-íris cor de rosa, pois, lembro que o arco-íris é no contexto bíblico do Antigo Testamento o símbolo da promessa de deus, Javé, de que não ocorreriam outros dilúvios. Arco-íris cor de rosa humanos são pessoas que querem ver a bondade no mundo, sentido e significado nas coisas aleatórias, em verdade, trata-se aqui da maioria das pessoas com suas crenças em um mundo ordenado por meio de uma vontade superior e que buscam um sentido em deus ou em uma divindade superior para explicar mesmo as coisas que carecem de sentido e são totalmente indiferentes à bondade ou maldade, ao que você faz ou deixa de fazer, a quem você é ou foi nesta vida.
Algumas pessoas parecem colocar lentes cor de rosa, pois vêem o mundo somente por um prisma que exclui a maldade e em todos conseguem ver bondade e amizade, tornando-se vítimas potenciais de predadores astutos. Algumas pessoas de fato escolhem acreditar que há bondade em todos a sua volta. O mundo no qual vivemos tem a ver com nossas crenças, de fato, nossas crenças determinam o mundo no qual vivemos e podem ser usadas facilmente contra nós. O irônico da questão é que pensamentos positivos e otimismo nos fazem mais felizes e tornam nossa vida física e emocionalmente melhor, no entanto, simultaneamente nos proporcionam maior facilidade para sermos vítimas de predadores de todos os tipos que tendem a se aproveitar de nossa inocência e de nosso desejo de não querer ver a crueldade grotesca presente em algumas pessoas. Ser otimista e ter pensamentos positivos nos tornam mais saudáveis e felizes e disto não há dúvidas, mas simultaneamente nos tornam também mais vulneráveis.
Todas estas pessoas vivem em um mesmo mundo? Apesar de fisicamente o mundo ser o mesmo para todos, cada qual vive no mundo pertencente ao conjunto de seus saberes e crenças. O mundo percebido por um camaleão humano não será de modo algum idêntico ao percebido por um carvalho ou por um arco-íris cor de rosa. Claro está que alguns destes mundos são mais amplos do que outros e que algumas visões da realidade nos tornam mais propensos a sermos vistos como vítimas em potencial por predadores sociais. Uma visão mais ampla da realidade, somada a fortes valores morais e sociais, pode também gerar sofrimento ao grande carvalho, diante da visão da estupidez humana e da vastidão do conhecimento ainda não alcançado. Penso que para nós o importante é sabermos que as pessoas são diferentes, que possuem um grande potencial para ser desenvolvido e que nem sempre são aquilo que aparentam ser.
Também importante é termos consciência que mesmo que não saibamos, podemos hoje estar caminhando potencialmente em direção a sermos vítimas de algum predador social e que, portanto, para nossa própria sobrevivência, temos de ter cuidado com nossas crenças e inocência.
Arco-íris cor de rosa humanos teimam em afirmar que a desgraça sempre ocorre com o outro e nunca com elas próprias, acreditam que podem ter controle sobre o que de bom ou ruim ocorre em suas vidas e seguem rituais irracionais para obterem o que desejam e preservar a integridade do que acreditam ser e ter. O carvalho pode ser grande e imponente, mas está firmemente preso as suas raízes, por sua vez, o camaleão é ágil e se movimenta com facilidade nos mais diversos terrenos sociais em um mundo onde predominam pessoas arco-íris cor de rosa. São modos de vida e de interação social que quando devidamente compreendidos nos permitem um melhor convívio em sociedade, bem como, uma vida mais ampla e gratificante.

Pergunta: Você gostou? Com qual personagem figurativo você mais se identifica aqui e quais aspectos de personalidade ou interação social lhe parecem mais importantes e significativos? O que mais você gostaria de acrescentar ou falar?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

domingo, 12 de junho de 2011

Casca vazia

Por: Silvério da Costa Oliveira.

O ser humano vazio de valores e impregnado pela influência volátil das mídias apresenta-se como uma casca vazia, sem conteúdo, sem coisa alguma que o faça digno da humanidade que a rigor possui.
A nossa sociedade valoriza a aparência, nada contra, afinal, nossa aparência diz muito sobre o que somos, fazemos, pensamos e queremos. Sabendo olhar para alguém vemos muito mais do que esta gostaria que víssemos, no entanto, o fato curioso está que nossa aparência externa, nossa produção diária, não passa do papel que embrulha o presente que somos nós. Ocorre, no entanto, que algumas pessoas se preocupam tanto com o papel de presente que esquecem do próprio presente que deveria estar nele contido.
Parece que algumas pessoas são detentoras de um profundo vazio existencial, cuja imensidão não preenchida assusta mentes incautas e pode proporcionar em algum momento uma imperiosa necessidade de ser preenchido com algo, seja lá o que for, como se a dor de uma caixa vazia pudesse ser suprimida ao se encher esta caixa com lixo. Daí as pessoas se atiram de corpo e alma, com tudo de seu ser vazio em uma religião de fachada, também vazia em outro nível, convertem-se a isto ou aquilo outro e para calar a voz interior que diz que tudo aquilo é falso e sem sentido, buscam a confirmação da veracidade e do sentido na compulsiva tentativa de converter a outros para o mesmo caminho, agora doravante trilhado na convicção que pela inundação de novos conteúdos possam aplacar os gritos do silêncio que emanam da profundidade abismal de seu vazio interior. Se antes eram fúteis, continuam sendo, mesmo sem o saber.


Como um elegante manequim bem vestido dentro de uma vitrine de loja, algumas pessoas mostram uma casca de extrema beleza, produzida com o uso não somente de uma peculiar combinação genética e de um biotipo socialmente valorizado, mas também pela contribuição de competentes salões de cabeleireiro e manicure, por conceituadas lojas de roupas de grife e pelo jovial encanto da juventude dada de graça e desperdiçada por coisa alguma. Ao olharmos o conjunto não temos como não admirar tais pessoas, com sua postura e beleza sedutora paga no cartão de crédito, no entanto, olhando bem nos olhos e penetrando este olhar por esta janela da alma, sentimos de imediato um sentimento de angústia e medo ao sermos jogados do alto para o nada sem pára-quedas que reduza a velocidade desta queda no nada que deveria ser uma pessoa, seus valores, conceitos, experiência, formação, crenças, superstições, esperanças, motivações, desejos, ambições e direcionamento.
Casca vazia humana, lugar onde centra-se e concentra-se a hipocrisia e futilidade plenamente presente em uma vida não vivida, em uma vida inútil. Sua vida e mesmo sua morte não passam de um mero número, pois, sua contribuição para a humanidade é puramente quantitativa e não qualitativa. Irá ajudar a compor as “massas” acéfalas que compõem o pior do que podemos vislumbrar em um ser-humano. Sem sentido, quando a juventude se vai o desespero chega e se a isto se soma uma perda social qualquer, como, por exemplo, um namorado ou algo equivalente, a inserção em um falso mundo religioso após súbita conversão é praticamente certa. Aquele ou aquela que sequer sabe quem é, agora pensa, se é que consegue tal feito, ter encontrado a deus e quer levar a todos para o caminho, ou descaminho, que este passou a ardorosamente seguir.
Estas pessoas não conseguem viver sem o uso de algum tipo de muletas emocionais (religião, drogas, álcool, amor ou sexo obsessivo, etc.), pois, consideram a vida um fardo por demais pesado para ser por elas carregado, não vêem a beleza, pois, estão envoltas na dor do medo. Como suportar a vida que elas nunca viveram, que sempre temeram, ignoraram e fingiram não existir? Para viver não basta ser a imagem imóvel de um manequim humano vestido com marcas da moda em meio aos agitos da noite para mostrar-se a sociedade. Para viver de fato é preciso começar a ser alguma coisa, e esta coisa é você e não meramente a marca de roupas que você usa para fazer parte de sua tribo. Assumir-se com tudo de bom e ruim que você é, sem acreditar que sua vida será maravilhosa quando fizer mais uma cirurgia plástica no nariz que só você enxerga como feio ou anormal para o seu biotipo.
Não estou negando o valor ou a beleza da embalagem, muito pelo contrário, reconheço a beleza do papel que envolve um presente como algo socialmente importante, mas cabe frisar que trata-se somente do papel de embrulho e por melhor e mais bonito que este seja, quando desembrulhamos nosso presente, esperamos encontrar algo dentro da linda embalagem e algo que seja condizente com a beleza da própria embalagem. Sempre é uma decepção abrir uma caixa vazia, quando aguardávamos encontrar nela um presente.

Pergunta: O que vai dentro desta bela casca corresponde à beleza de seu exterior?

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)