Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

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11- Currículo na plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8416787875430721

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quinta-feira, 6 de maio de 2021

Renascimento (1) * Crise de valores e retorno a Antiguidade Clássica

 


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O Renascimento é um movimento que abrange os séculos XIV (Trecento), XV (Quattrocento) e XVI (Cinquecento), em particular na Itália, onde tem início e a partir do qual se espalha pelo restante da Europa. Nesta época passamos a ter um grande interesse e resgate da Antiguidade clássica. Também estamos diante de uma crise de valores baseada no questionamento das crenças e ideias até então vigentes e aceitas. Neste período temos o surgimento e desenvolvimento da ideia de individualidade, se contrapondo ao coletivismo e anonimato presente da Idade Média. O termo “Renascimento” é uma criação contemporânea à referida época e estudos apontam que a palavra carregando este sentido teria surgido no século XVI por meio do pintor e arquiteto italiano Giorgio Vasari. Cabe destaque especial a Leonardo da Vinci, Nicolas Machiavelli, Giordano Bruno, Galileu Galilei. O humanismo antecede o renascimento. No humanismo temos um movimento com características mais universais e cujos principais expoentes estavam restritos às letras e ao resgate e publicação de livros antigos, por vezes mantidos em mosteiros ou outros lugares vinculados à Igreja. Na Idade Média tudo gira ao redor de Deus, é o teocentrismo, já no Renascimento temos o antropocentrismo. Na Idade Média há uma tendência ao conformismo e já no Renascimento temos uma orientação ao inconformismo e ao progresso. O ascetismo se contrapondo ao hedonismo. O coletivismo dando lugar ao individualismo. Se antes a verdade estava na Bíblia e em outros escritos reconhecidos pela autoridade da Igreja, agora se encontra na ciência que começa a surgir. Em virtude do pecado original narrado na Bíblia, onde Adão e Eva se encontravam na natureza, esta era associada ao pecado, agora não mais, pois a natureza passa a ser associada ao belo. O ser-humano era visto como um equívoco, agora passa a ser entendido como o ápice da criação. A ênfase estava na fé voltada para a salvação e agora passa aos poucos para a razão e a realidade terrena. O Renascimento é um momento histórico no qual constatamos ocorrer na Europa transformações marcantes que envolvem vários aspectos da sociedade, tais como a cultura, política, economia, religião e filosofia. Estamos, também, diante do fim do feudalismo da Idade Média e o início do capitalismo por meio do mercantilismo.

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"E eis que surge o Renascimento com o resgate da Antiguidade Clássica, o questionamento das crenças aceitas e a crise dos valores".

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sábado, 1 de maio de 2021

E eis que surge o Renascimento com o resgate da Antiguidade Clássica, o questionamento das crenças aceitas e a crise de valores

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

 O Renascimento é um movimento que abrange os séculos XIV (Trecento), XV (Quattrocento) e XVI (Cinquecento), em particular na Itália, onde tem início e a partir do qual se espalha pelo restante da Europa. Nesta época passamos a ter um grande interesse e resgate da Antiguidade clássica, por meio de seus maiores representantes em todas as áreas do saber. Também estamos diante de uma crise de valores baseada no questionamento das crenças e ideias até então vigentes e aceitas. Neste período temos o surgimento e desenvolvimento da ideia de individualidade, se contrapondo ao coletivismo e anonimato presente da Idade Média.

Lembremos que a Idade Média vai do século V ao XV, tendo seu início com a queda do império romano do ocidente em 476 d.C. e seu final com a queda do império romano do oriente, em 1453 d.C. quando tem início a Idade Moderna. Deste modo, podemos entender que o Renascimento se situa entre o final da Idade Média e o Início da Moderna, um período histórico de transição em todos os campos da cultura e economia.

O termo “Renascimento” é uma criação contemporânea à referida época e estudos apontam que a palavra carregando este sentido teria surgido no século XVI por meio do pintor e arquiteto italiano Giorgio Vasari (1511-1574).


 

Neste período histórico de três séculos cabe a ocorrência de diversas transformações sociais na Europa, tendo como foco iniciador a Itália. Esta transformação se dá na cultura como um todo, na ordem política e social, na esfera econômica, científica, artística, literária e mesmo religiosa.

O crescimento do comércio e o progresso das cidades italianas proporcionou grande enriquecimento para alguns, que passaram a investir parte deste dinheiro no patrocínio de artistas os mais diversos. Estes que patrocinavam os artistas passaram a ser chamados de “mecenas” e são, com certeza, grandes responsáveis pelo desabrochar cultural desta época. Arte e comércio passaram a manter laços profundos e benéficos para ambas as partes.

Dentre os vários autores e as várias obras literárias que podem ser vinculados ao período, poderíamos citar, de Dante Alighieri (1265-1321), “A divina Comédia”, de Giovanni Boccaccio (1313-1375), “Decamerão”, e de Francesco Petrarca (1304-1374), “África”. Também importantes são Torquato Tasso (1544-1595), “Jerusalém libertada”, Ludovico Aristo (1474-1533), “Orlando Furioso”, Francesco Guicciardini (1483-1540), “História da Itália”.

Por sua vez, na política, Machiavelli (Maquiavel) inova com “O príncipe” e temos diversos e inúmeros outros trabalhos de autores distintos, como tal é o caso também de Erasmo de Roterdam (1466-1536), “O elogio da Loucura”. Mas mais especificamente neste período, penso que cabe um destaque especial a Leonardo da Vinci (1452-1519), Nicolas Machiavelli (1469-1527), Giordano Bruno (1548-1600), Galileu Galilei (1564-1642).

O termo “Renascimento” foi cunhado tendo em vista que se buscava um rompimento com os valores e modo de pensar da Idade Média e um ressurgimento da cultura antiga, dos gregos e romanos. Esta foi a orientação do movimento, claro está, no entanto, que o próprio movimento é fruto do final da Idade Média e representa, também, uma conclusão deste período, que não deixa de estar presente. Há um rompimento sim, mas a partir de uma continuação como um desfecho ou conclusão de várias teses, debates e eventos anteriormente ocorridos.

O humanismo antecede o renascimento. No humanismo temos um movimento com características mais universais e cujos principais expoentes estavam restritos às letras e ao resgate e publicação de livros antigos, por vezes mantidos em mosteiros ou outros lugares vinculados à Igreja. Com o surgimento da Imprensa, invenção de Gutenberg (1430), temos a possibilidade de termos uma quantidade maior de livros circulando, por um preço mais baixo e mais rapidamente do que pelo antigo processo de copiar o manuscrito manualmente. Os humanistas por vezes buscavam manuscritos antigos nos mais distintos lugares, associados a alguma casa editorial, que objetivavam encontrar e publicar por meio da imprensa, tornando conhecidos tais trabalhos. O Renascimento surge logo após o humanismo, mas sem interromper o mesmo. No Renascimento temos algo mais restrito e inicialmente vinculado a região da Itália, envolvendo também as letras, mas também as artes e o início da ciência moderna. Quando se espalha para o restante da Europa, agregando novos elementos e se incorporando às culturas locais, para diferenciar do ocorrido inicialmente na Itália, há uma tendência de substituir o termo renascimento por “maneirismo”, já no século XVI, claro está que o maneirismo pode ter seu surgimento também vinculado a Itália, de onde se irradia para as demais regiões.

Durante o transcurso da Idade Média predominou o teocentrismo, ou seja, tudo girava em torno de Deus, dos dogmas da religião, da promessa de salvação, da autoridade da Igreja, dos escritos sagrados. Durante o período do Renascimento esta ênfase muda do teocentrismo para o antropocentrismo, onde o ser humano passa a ocupar o lugar de destaque. Mudança profunda e que vem conjuntamente com a valorização do indivíduo, da individualidade. Se durante a Idade Média obras de arte e outras produções por vezes não eram assinadas, caindo em um coletivo anonimato, agora é importante a autoria, saber quem fez o que.

A religião cristã tradicional com seus dogmas cede espaço a ideias oriundas do antigo paganismo, a fé por sua vez há de ceder espaço a razão, a autoridade da razão. Claro que é um processo e não uma mudança súbita e claro também que há uma mescla de valores medievais presentes aos ideais humanistas e renascentistas.

O teocentrismo presente na Idade Média é substituído pelo antropocentrismo, o humano passa a ser glorificado como algo belo, como uma obra de arte. O corpo humano nu passa a aparecer em estátuas e pinturas. O corpo humano também passa a ser dissecado e estudado minuciosamente. Leonardo da Vinci está entre aqueles que estudaram por meio de dissecação de cadáveres toda a estrutura do corpo humano, fazendo anotações e desenhos precisos que poderiam ter revolucionado a medicina se tivessem sido divulgados a sua época. Nesta época histórica a relação “humano / Deus”, cede a vez a relação “humano / natureza”. Temos o nascimento triunfante do individualismo, deixando de lado o anonimato e coletivismo anteriormente presente na sociedade.

O ideal do humano do Renascimento era resgatar e retomar em sua época a cultura clássica greco-romana, sua visão sobre o período anterior, a Idade Média, era de uma era obscura, no entanto, por mais que o Renascimento tenha importância e apresente uma renovação cultural, a Idade Média não deve ser vista como uma era de trevas. Sem retirar a importância destes três séculos, não cabe denegrir a imagem da Idade Média, pois tal não é condizente com a realidade e mais se aproxima de uma ilusão. Podemos, no entanto, falar com certeza em uma valorização da antiguidade clássica durante o Renascimento e uma tentativa de ruptura com valores e práticas tidos como medievais.

Diversas são as diferenças entre os dois períodos históricos, a Idade Média que estava findando e o Renascimento que surgia de início na Itália do século XIV. Vejamos algumas comparações. Na Idade Média tudo gira ao redor de Deus, é o teocentrismo, já no Renascimento temos o antropocentrismo. Na Idade Média há uma tendência ao conformismo e já no Renascimento temos uma orientação ao inconformismo e ao progresso. O ascetismo se contrapondo ao hedonismo. O coletivismo dando lugar ao individualismo. Se antes a verdade estava na Bíblia e em outros escritos reconhecidos pela autoridade da Igreja, agora se encontra na ciência que começa a surgir. Em virtude do pecado original narrado na Bíblia, onde Adão e Eva se encontravam na natureza, esta era associada ao pecado, agora não mais, pois a natureza passa a ser associada ao belo. O ser-humano era visto como um equívoco, agora passa a ser entendido como o ápice da criação. A ênfase estava na fé voltada para a salvação e agora passa aos poucos para a razão e a realidade terrena.

O Renascimento é um momento histórico no qual constatamos ocorrer na Europa transformações marcantes que envolvem vários aspectos da sociedade, tais como a cultura, política, economia, religião e filosofia. Estamos, também, diante do fim do feudalismo da Idade Média e o início do capitalismo por meio do mercantilismo.

Compreender o período dito “Renascimento” é fundamental para entender as profundas mudanças culturais ali ocorridas e que vem a marcar a ruptura com um modo de pensar, e a mudança para outra forma de se colocar diante da vida, da sociedade e da religiosidade. Muda o pensamento e muda também a atitude diante da vida, com certeza o humano da renascença tem uma visão de mundo distinta da do humano medieval. A busca pela mudança e progresso traz junto um otimismo e uma valorização maior da vida. Em vez de se viver voltado para a salvação pós morte, agora se busca viver mais intensamente a vida que se tem, valorizando o corpo e o prazer (hedonismo), bem como buscando se afirmar individualmente, saindo do anonimato coletivo. Agora é importante para o artista assinar suas obras, deixando um registro para a posteridade de sua existência e valor. Os valores da sociedade moderna foram ali aos poucos elaborados e consolidados. Para entendermos movimentos distintos do pensamento e da filosofia posterior, tal o caso do Racionalismo, Empirismo, Iluminismo ou mesmo o advento da ciência moderna e as descobertas na astronomia, física e matemáticas, é preciso primeiro entender e compreender este momento histórico onde tudo está germinando e aflorando.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Isaac Newton (1) * Do ocultismo a física moderna

 


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​ Isaac Newton foi físico, matemático, astrônomo, teólogo, alquimista. Entrou para a história, no entanto, somente como um matemático e físico cuja mente brilhante havia proposto leis e explicações para o movimento dos corpos e também para o movimento elíptico das órbitas dos planetas, pois, antes dele Kepler havia demonstrado por meio de observações consistentes feitas por Tycho Brahe o movimento dos planetas, mas coube a Newton apresentar uma explicação matemática convincente do fenômeno conjuntamente com a teoria da gravitação universal, pela qual um corpo atrai e é atraído por outro corpo em função da massa de ambos. Newton também é conhecido pela sua ótica e teoria da luz. O Newton alquimista e teólogo foi até recentemente ignorado propositalmente pela história. A ideia de uma força atuando a distância entre corpos recebeu uma crítica de Leibniz de que teria a ver com o ocultismo, pois eram em doutrinas ali existentes que podia se observar este conceito. Newton foi o segundo cientista a receber o título de “Sir”, anteriormente esta honraria já havia sido dada a Sir Francis Bacon. Seu livro “Philosophiae naturalis principia mathematica” (Princípios matemáticos da filosofia natural), traz importantes contribuições no tocante à mecânica clássica. Nele encontramos a formulação das três leis de Newton E também sua teoria sobre a gravidade universal. Primeira lei de Newton (Princípio de inércia) Segunda lei de Newton (Princípio fundamental da dinâmica) Terceira lei de Newton (Princípio da ação e reação) Lei da gravitação universal Newton afirma “Non fingo hypotheses”, no entanto, o que Newton fez o tempo todo foram hipóteses. Se a revolução científica começa com Copérnico, será com Newton que o então advento da ciência moderna chega ao seu ápice. As contribuições de Newton tendem a explicar uma grande quantidade de fenômenos, terrestres e celestes, a partir de um pequeno número de elementos. Os mestres do século XVIII são, indubitavelmente, Locke e Newton e sua influência irá perdurar bem além de suas vidas, perpassando toda a Europa e mesmo a América.

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"Isaac Newton: O homem, o ocultismo e as leis e explicações da física".

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segunda-feira, 26 de abril de 2021

Isaac Newton: O homem, o ocultismo e as leis e explicações da física

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Isaac Newton (1643-1727) já começa com uma pequena polêmica quanto à data de seu nascimento, pois, o papa Gregório XIII havia patrocinado diversos cientistas, matemáticos e astrônomos para corrigir o calendário então vigente para que este se adequasse ao começo e fim das estações climáticas do ano, finalmente, em 1582 é adotado por intermédio e influência do papa o assim chamado calendário gregoriano que viria a substituir o então vigente calendário juliano. Todos os países católicos adotaram o novo calendário, mas os países que tinham outra religião oficial não o fizeram de imediato, tal foi o caso na Inglaterra, que somente o adotou em 1752 conjuntamente com suas colônias. Deste modo, pelo antigo calendário juliano, Newton nasceu na data de 25 de dezembro de 1642 e pelo atual calendário gregoriano ele nasceu em 4 de janeiro de 1643.


 

É comum haver uma mistura dos dois calendários quando algum comentarista quer aproximar Newton de Galileu, pois, tomando por base o calendário juliano o ano de nascimento de Newton foi o ano da morte de Galileu tendo este por base o calendário gregoriano.

A mudança introduziu uma variação de cerca de 10 dias, pois o antigo calendário juliano, instituído por Júlio César em 46 a. C. tinha cerca de 11 minutos a menos em um ano, o que com o passar dos séculos gerou uma defasagem considerável que teve de ser corrigida. De qualquer modo, Newton nasceu e morreu na Inglaterra, Reino Unido, vivendo 84 anos. Em verdade, nunca viajou para fora de seu país. Pelo calendário juliano, então vigente, nasceu em 25 de dezembro de 1642 e faleceu em 20 de março de 1726. Ou seja, na data de seu nascimento na Inglaterra era o dia de Natal. Já pelo novo calendário gregoriano, ainda vigente hoje, nasceu em 4 de janeiro de 1643 e faleceu na data de 31 de março de 1727. Apesar da diferença ser de cerca de 10 dias, não está errado quando escrevo que faleceu em 1726 e não 1727 pelo calendário então vigente na Inglaterra. Ocorre que Júlio César colocou o início do ano em 1º de janeiro, mas durante a Idade Média a Igreja Católica mudou para 25 de março, data do equinócio da primavera e data na qual antes de Júlio César e seu calendário juliano era o começo do novo ano. Com o novo calendário gregoriano, retornou-se a data de 1º de janeiro para início do ano novo, mas na Inglaterra quando do falecimento de Newton ainda predominava o modelo medieval e o ano de 1727 só começaria em 25 de março, logo, faltavam ainda quatro dias para o ano novo.

Newton foi físico, matemático, astrônomo, teólogo, alquimista. Entrou para a história, no entanto, somente como um matemático e físico cuja mente brilhante havia proposto leis e explicações para o movimento dos corpos e também para o movimento elíptico das órbitas dos planetas, pois, antes dele Kepler havia demonstrado por meio de observações consistentes feitas por Tycho Brahe o movimento dos planetas, mas coube a Newton apresentar uma explicação matemática convincente do fenômeno conjuntamente com a teoria da gravitação universal, pela qual um corpo atrai e é atraído por outro corpo em função da massa de ambos. Newton também é conhecido pela sua ótica e teoria da luz. O Newton alquimista e teólogo foi até recentemente ignorado propositalmente pela história, no entanto, com certeza Newton dedicou mais horas de sua vida a teologia interpretando passagens bíblicas e mesmo fazendo uma previsão para 2060 sobre o fim dos dias, ou mesmo em experimentos alquímicos do que na nova ciência da física matemática que este ajudou a criar. Aliás, a ideia de uma força atuando a distância entre corpos recebeu uma crítica de Leibniz de que teria a ver com o ocultismo, pois eram em doutrinas ali existentes que podia se observar este conceito. Bem provavelmente Leibniz estava certo com relação à origem da ideia da gravidade, o local de sua inspiração.

Penso ser bem provável que a história da maçã tenha sua origem aí, como uma tentativa de esconder sua relação íntima com doutrinas e estudos sobre ocultismo e alquimia. Popularmente Newton estava deitado sob uma macieira quando uma maçã caiu em sua cabeça e este teve a inspiração de estudar o porquê da maçã cair e daí surgiu seu trabalho sobre a lei da gravidade, no entanto, a história original não é muito diferente. É provável que a origem da versão sobre a maçã caindo na cabeça de Newton se deva ao marido da sobrinha de Newton, o parlamentar John Conduitt, quando este escreveu um memorial a Newton pela ocasião de seu falecimento e nele incluiu este detalhe pitoresco.

Em vários relatos de pessoas próximas a Newton temos afirmações no tocante a Newton relatar que sua inspiração decorreu deste observar uma maçã caindo, e não desta cair em sua cabeça, e até hoje supostas macieiras na Inglaterra são preservadas e reverenciadas como sendo a fatídica macieira cuja maçã inspirou a Newton propor a lei da gravidade. Temos até mudas destas macieiras que foram levadas para outros lugares onde passou-se a ter por meio desta muda, também a macieira cuja queda de uma maça a tornou imortal.

Mas que motivo poderia ter Newton de espalhar a história de que sua inspiração se deveu à observação da queda de uma maçã, a não ser fazer com que não se percebesse a verdadeira origem de sua inspiração, que estaria no ocultismo e na alquimia. Lembremos que a alquimia era atividade ilícita na Inglaterra naquela época, pois o governo temia que aquele que descobrisse como transformar metais comuns em ouro poderia arruinar o sistema financeiro do país. As penas eram severas e além disto, o trabalho em matemática e física poderia ser comprometido e maculado se associado a práticas outras, tidas dentro do arcabouço da magia e ocultismo.

A rigor, Newton pode ser considerado um herético pelo prisma da sociedade cristã inglesa, onde temos a Igreja Anglicana, pois, Newton se vincula a uma doutrina Ariana pela qual há a negação da santíssima Trindade, sendo Deus considerado único e Jesus somente um profeta. Tal posicionamento religioso, se divulgado amplamente, poderia ter consequências desastrosas para a vida de Newton na época e local no qual vivia.

Seus trabalhos trataram do movimento dos planetas, afirmando a veracidade do modelo heliocêntrico, mas mudando o centro para o ponto imóvel da gravidade de todos os corpos no sistema solar. Tratou da forma dos planetas, os quais não seriam uma esfera perfeita. Estudou o percurso dos cometas, também as marés e como as mesmas eram afetadas pela massa gravitacional da lua. Tem trabalhos específicos sobre a luz, a refração, as propriedades das cores. Cabe a ele estudos sobre a luz passando por um prisma e por este modo demonstrando que a luz branca é formada por diversas cores, do mesmo modo que o arco-íris que vemos nos céus.

Boa parte de sua obra foi organizada em manuscritos no período de isolamento nos anos de 1665 e 1666, pois, em virtude de uma epidemia de peste bubônica que assolava a Inglaterra, a Universidade de Cambridge, onde estava na condição de bolsista desde 1664 (ano em que ganhou a bolsa por 4 anos. Em 1665 formara-se em Humanidades), foi fechada e todos (professores e alunos) retornaram para suas casas até o fim da epidemia. Conta-se que a história da maçã, se verídica ou não, teria se passado nesta oportunidade. Claro está que Newton já vinha há alguns anos fazendo leituras e anotações e desenvolvendo seu pensamento em direção a problemas que vislumbrava em algumas áreas de estudo, poder ficar a sós no campo foi somente uma oportunidade para reorganizar suas ideias. Em 1667 é aprovado no concurso em Cambridge para professor, tornando-se professor do Trinity College. Em 1669 substitui Isaac Barrow, que tendo renunciado a cátedra indicara Newton, na cátedra lucasiana como professor de matemática, onde passou a dar aulas sobre ótica.

Também o aperfeiçoamento do telescópio, criando o que se chama hoje de telescópio de Newton, um telescópio refletor (1668). Em 1671 Newton enviou um exemplar de seu telescópio a Royal Society e também um trabalho inicial sobre luz e cores, sendo eleito membro da sociedade no ano seguinte, em 1672. A divulgação de sua teoria corpuscular da luz levantou muita polêmica, em particular com Hook, presidente da Royal Society. Newton respondeu as críticas recebidas e a controvérsia durou de 1672 a 1676, quando Newton resolveu se afastar e nada publicar por cerca de 10 anos de sua vida.

Somente em 1687, em decorrência da insistência de Halley, vem a publicar seu maior livro, o “Princípios de matemática”, contendo parte do trabalho e ideias elaboradas durante o isolamento nos anos de 1665 e 1666 e mantidas guardadas somente para Newton e longe de olhares curiosos. Edmond Halley havia visitado Newton em agosto de 1684 para lhe perguntar sua opinião sobre o movimento em elipse dos planetas, estamos aqui diante da lei da atração, que varia de acordo com o inverso do quadrado da distância. Nesta ocasião Newton havia dito a Halley que já havia se ocupado do assunto anos atrás e o resolvido, tendo as notas em algum lugar, mas que não sabia exatamente aonde e quando as encontrasse as mandaria para ele, o que de fato pouco depois ocorreu e maravilhou a Halley.

Em janeiro de 1689, representando a Universidade de Cambridge, foi eleito membro do parlamento e no mesmo ano de 1689 teve um quadro de sua pessoa feito pelo pintor e principal artista da época, Sir Godfrey Kneller.

Diga-se de passagem, que por motivos de dificuldades financeiras a universidade de Cambridge e o Trinity College não pagaram salários a seus professores em 1688, 1689 e 1690, o que prejudicou a Newton e o fez buscar outras fontes de renda para sobreviver. Em parte isto deve ter motivado a famosa crise nervosa que Newton teve no ano de 1693 e na qual se indispôs com conhecidos e amigos, dentre os quais John Locke. Esta crise nervosa teve também influência do afastamento de seu amigo Fatio de Duillier, matemático, que residia em Londres e teve de retornar para sua terra natal na Suíça, apesar dos protestos de Newton. Há também quem defenda que o manuseio com substâncias químicas durante experimentos em alquimia o teria envenenado, proporcionando esta crise. Seja como for, talvez não haja uma origem única para a relatada crise nervosa de Newton no ano de 1693.

No ano de 1696 é nomeado superintendente da Casa da Moeda da Inglaterra, em Londres, e em 1699 é nomeado diretor da casa da moeda, neste momento ele renuncia à cátedra lucasiana e ao cargo de professor do Trinitiy College.

Em março de 1703 seu rival e presidente da Royal Society, Robert Hooke, vem a falecer e Newton se articula com êxito para ser eleito presidente, cargo que ocupará até seu falecimento, tendo sido eleito a primeira vez em novembro de 1703 e sucessivamente desde então, acumulando a função com o cargo de diretor da casa da moeda. Foi feito cavaleiro pela rainha Ana em abril de 1705. Newton foi o segundo cientista a receber o título de “Sir”, anteriormente esta honraria já havia sido dada a Sir Francis Bacon.

Seu livro “Philosophiae naturalis principia mathematica” (Princípios matemáticos da filosofia natural), de 1687, traz importantes contribuições no tocante à mecânica clássica. Nele encontramos a formulação das três leis de Newton E também sua teoria sobre a gravidade universal. O livro com cerca de mil páginas foi publicado em três volumes e financiado por Edmond Halley. Com certeza sua obra prima e um de seus principais trabalhos.

Em seu livro “Opticks” (Ótica), de 1704, defende a natureza corpuscular da luz e também apresenta estudo minucioso sobre os fenômenos da refração, reflexão e dispersão da luz. Newton deixou a publicação deste estudo para após o falecimento de seu rival neste tema, Robert Hook, o qual já o havia criticado anteriormente e defendia a natureza não corpuscular e sim ondulatória da luz.

Acrescente-se a polêmica sobre o cálculo diferencial e integral que envolveu Newton e Leibniz e os partidários de ambos sobre qual dos dois teria descoberto o cálculo e se o outro seria um plagiador. Em verdade, ambos descobriram de modo independente e simultâneo, sem conhecerem o que o outro estava elaborando a mesma época. Newton o chamava cálculo das fluxões e o nome que perdurou na história, bem como a notação para o cálculo, foi o dado por Leibniz.

Newton é conhecido pelas suas três leis e por tal é recordado e estudado ainda hoje no sistema educacional dos mais distintos países. É comum adolescentes e adultos jovens terem contato com estas leis e com diversos exercícios visando o emprego das mesmas durante seus estudos básicos ou, para alguns, na continuação mais avançada de seus estudos nas respectivas profissões escolhidas. Portanto e em virtude disto e da importância das mesmas para o entendimento da mecânica clássica de Newton, iremos aqui e agora apresenta-las de forma suscinta.

Primeira lei de Newton (Princípio de inércia): Todo corpo tende a permanecer em estado de repouso ou de movimento retilíneo uniforme (MRU) até que seja forçado a mudar seu estado em virtude de alguma força aplicada sobre o mesmo. Se a força resultante é nula, a velocidade é constante. Por força resultante entendemos o vetor soma de todas as forças que agem sobre um dado corpo. Para que um corpo que se encontra em movimento ou para um corpo que se encontre em repouso mude seu estado é preciso que da soma das forças que nele agem a resultante não seja nula.

Segunda lei de Newton (Princípio fundamental da dinâmica): A mudança de movimento de um corpo é proporcional à força motora nele impressa e é produzida em direção a linha reta na qual a força foi aplicada. Ou dito de outra forma, havendo uma força externa que atue sobre o corpo, a aceleração dela recebida é diretamente proporcional à sua intensidade. Ou também, a força resultante que atua sobre determinado corpo é igual ao produto da massa do corpo pela aceleração.

Terceira lei de Newton (Princípio da ação e reação): A toda ação segue-se uma reação oposta e de igual intensidade. As ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e direcionadas em sentidos opostos.F → = d p → d t = d ( m v → ) d t {\displaystyle {\vec {F}}={\frac {\mathrm {d} {\vec {p}}}{\mathrm {d} t}}={\frac {\mathrm {d} (m{\vec {v}})}{\mathrm {d} t}}}

Lei da gravitação universal: Dois corpos se atraem com força proporcional as suas respectivas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa seus centros de gravidade.

Newton afirma “Non fingo hypotheses”, visando se contrapor a física cartesiana. Segundo Newton, mesmo se a física cartesiana se mostrasse apropriada em certas circunstâncias, suas afirmações poderiam ser verossímeis, mas longe de deduzíveis dos próprios fenômenos. No entanto, claro está que o que Newton fez o tempo todo foram hipóteses, ou seja, apresentar soluções provisórias a um problema, podendo conferir com os dados coletados e testar experimentalmente com o auxílio do cálculo matemático.

Newton é deveras importante para a evolução da ciência, tendo um papel importante na história da ciência moderna e proporcionando contribuições realmente significativas para a física e a matemática (binômio de Newton e cálculo das fluxões). Na época em que viveu a filosofia ainda não estava totalmente separada da teologia e da ciência, de modo que para sua época ele deve ser visto como um filósofo natural e não como um cientista como entendemos hoje o termo. Apesar de sua enorme contribuição à ciência moderna, não cabe descartar seu interesse e trabalho em outras áreas, tais como a alquimia, teologia e outras disciplinas que podem ser classificadas hoje como estando dentro de um conjunto tido como referente ao ocultismo. Aliás, na época em que viveu era comum aos filósofos naturais estarem também envolvidos a estes outros campos do saber, pois, tais áreas também poderiam eventualmente contribuir para o aumento do saber.

Newton há de influenciar profundamente não somente o desenvolvimento da física, matemática e astronomia dentre outros campos das ciências então em desenvolvimento, mas também há de exercer uma forte influência sobre a filosofia, não somente o Empirismo britânico, mas em particular ao Iluminismo na França, pois, caberá aos filósofos iluministas verem em Newton e mais alguns poucos estudiosos, os verdadeiros guias e mestres de uma filosofia natural que poderia explicar não somente a realidade física circundante, mas também outros campos do saber, dentre os quais o social. Deste modo, os filósofos iluministas simplesmente descartavam outras estruturas teóricas presentes em diversos campos do saber humano.

Se a revolução científica começa com Copérnico, será com Newton que o então advento da ciência moderna chega ao seu ápice. As contribuições de Newton tendem a explicar uma grande quantidade de fenômenos, terrestres e celestes, a partir de um pequeno número de elementos.

Suas teorias apoiadas em sólida demonstração matemática abriram espaço para um outro entendimento do mundo e vários outros filósofos buscaram adotar em suas respectivas áreas de interesse, a exatidão e demonstração empírica matemática que Newton havia dado à física.

Os mestres do século XVIII são, indubitavelmente, Locke e Newton e sua influência irá perdurar bem além de suas vidas, perpassando toda a Europa e mesmo a América.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Johannes Kepler (1) * Leis de Kepler e o movimento planetário

 


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Johannes Kepler, astrônomo, astrólogo, matemático, professor, músico. Trabalhou ao lado de Tycho Brahe nos dois últimos anos de sua vida e com a morte deste veio a sucedê-lo no cargo de matemático imperial da corte do imperador Rodolfo II. É autor de “Mysterium cosmographicum” (Mistério cosmográfico), “A parte óptica da astronomia”, “Astronomia nova”, “La dióptrica”, “Harmonia do mundo”, e outros textos e livros. Kepler rompe com a ideia do movimento circular dos planetas e que havia necessidade deste movimento ser circular por ser perfeito, apresentando em seu lugar o movimento em forma de elipse. As três leis de Kepler foram posteriormente incorporadas ao sistema de Newton a partir da gravitação universal. As três leis de Kepler são a principal contribuição de Kepler para a mecânica celeste. 1º- Lei da forma elíptica ou lei das órbitas. 2º- Lei das áreas. 3º- Lei harmônica ou lei dos períodos. Kepler tende a apoiar a teoria de Copérnico e a questionar a teoria de Aristóteles e Ptolomeu, saímos do geocentrismo para o heliocentrismo, no entanto, o movimento circular dos astros é substituído por um movimento em forma de elipse. Com Copérnico, Kepler afirma que não é a Terra que está imóvel e sim o sol. E que é a Terra e os cinco planetas conhecidos, por serem vistos a olho nu, que se movem ao redor do sol. Saem os epiciclos e entram as elipses. Segundo a abordagem de Kepler, torna-se necessário observar os fenômenos, comprovar os dados, formular hipóteses, formular leis. Cabe destacar que o trabalho de Kepler envolveu vários outros temas de destaque e não somente o movimento dos planetas pelo qual ficou conhecido na história. Aperfeiçoou o telescópio de Galileu, descobriu dois novos poliedros regulares, apresentou a primeira prova do modo de funcionamento dos logaritmos, produziu tábuas astronômicas de alta precisão, etc.

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"Johannes Kepler: Pensamentos e cálculos sobre o universo".

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sábado, 17 de abril de 2021

Johannes Kepler: Pensamentos e cálculos sobre o universo

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Johannes Kepler (1571-1630) nasceu no sul da atual Alemanha em 27 de dezembro de 1571 e veio a óbito em 15 de novembro de 1630, aos 58 anos de idade. Astrônomo, astrólogo, matemático, professor, músico. Trabalhou ao lado de Tycho Brahe nos dois últimos anos de sua vida, como ajudante e colaborador, e com a morte deste em 1601, veio posteriormente a sucedê-lo no cargo de matemático imperial da corte do imperador Rodolfo II.

É autor de diversos livros e outros textos, dentre os quais podemos destacar alguns, a saber: “Mysterium cosmographicum” (Prodromus dissertationum cosmographicarum, continens Mysterium cosmographicum de admirabili proportione caelestium orbium) (Mistério cosmográfico), de 1596, no qual já adota a teoria de Copérnico, mantendo o movimento circular dos planetas, “Ad vitellionem paralipomena quibus Astronomie pars optica” (A parte óptica da astronomia), de 1604, estuda a refração da luz, “Astronomia nova”, de 1609, no qual abandona o animismo ainda presente em sua obra anterior e trabalha somente a partir da ideia de intervenção de forças físicas. Fazendo uso das observações de Tycho Brahe discorda de Copérnico quanto ao movimento circular dos planetas e apresenta sua lei sobre o movimento em forma de elipse em torno do sol, neste livro são formuladas suas duas primeiras leis. “La dióptrica”, de 1611, onde estuda a refração da luz, “Nova stereometria doliorum vinariorum”, de 1615, “Epitome astronomiae copernicanae”, de 1618, “Harmonices mundi” (Harmonices mundi libri quinqui, geometricus, architectonicus, harmonicus, astronomicus, cum appendice continens mysterium cosmographicum) (Harmonia do mundo), de 1619, neste livro formula sua terceira lei. Além de outros textos e livros por ele escritos e aqui não citados.


 

Kepler rompe com a ideia do movimento circular dos planetas e que havia necessidade deste movimento ser circular por ser perfeito, apresentando em seu lugar o movimento em forma de elipse, ou seja e de modo simplificado, um círculo achatado. Pode-se obter uma elipse cortando-se um cone por meio de um plano inclinado, na interseção de ambos teremos a elipse. Tentando ficar mais claro e didático, se você pregar em uma superfície plana (uma tábua ou folha de isopor, por exemplo) dois pregos afastados alguns centímetros um do outro e em seguida amarrar as pontas de um único barbante comprido nos dois pregos, colocando seu dedo no barbante e o forçando para fora em um movimento circular você irá formar uma elipse com este movimento. Neste exemplo cada prego será considerado um dos focos da elipse. Em relação ao movimento da Terra ao redor do sol, esta estaria se movendo como o seu dedo dentro do barbante e o sol ocuparia um dos focos onde se localiza um dos pregos que colocamos neste plano. Ainda neste exemplo, a linha traçada passando pelos dois pregos é o eixo maior e a linha que passa pelo ponto médio do eixo maior, sendo perpendicular a este, é o eixo menor. O que caracteriza o formato da elipse é a distância focal, no caso do círculo a distância focal é igual a zero, ou seja, no exemplo dado acima, ambos os pregos ocupam o exato mesmo ponto, de modo que o movimento do barbante será totalmente circular. Quando aproximamos os pontos focais nos aproximamos do círculo e quando afastamos muito os dois pontos focais tendemos a nos aproximar de uma linha reta.

As três leis de Kepler foram posteriormente incorporadas ao sistema de Newton a partir da gravitação universal. As três leis de Kepler são a principal contribuição de Kepler para a mecânica celeste.

1º- Lei da forma elíptica ou lei das órbitas. A órbita de um planeta se dá em forma de uma elipse, com o sol situado em um de seus focos (ponto focal).

2º- Lei das áreas. O planeta percorre espaço (áreas) iguais em tempos iguais. O raio vetor (linha imaginária) que vai de um planeta ao sol percorre áreas iguais em tempos iguais. Há aqui dois termos importantes: periélio e afélio. Por periélio entendemos o ponto no qual o planeta se encontra mais próximo ao sol e neste momento o planeta orbita mais velozmente. Por afélio entendemos o ponto no qual o planeta se encontra mais afastado em relação ao sol e neste momento o planeta orbita de modo mais lento. Quanto mais próximo ao sol, mais rápido o movimento do planeta e quanto mais distante mais lento este se move.

Dito isto sobre as duas primeiras, passemos para a terceira. Para entender a terceira lei de Kepler, precisamos de três variáveis representadas por três letras, neste caso quanto faz as letras usadas na fórmula, sendo o importante a definição das mesmas.

Pensemos em “T” para “tempo” para o planeta completar uma órbita completa ao redor do sol, ou se preferir, uma revolução ou o período de translação. No caso da Terra, esta leva 365 dias e seis horas para uma revolução, ou seja, 365,25.

Pensemos em “D” para “distância”. O eixo maior dividido por dois. Alguns no lugar de “D” preferem usar “R” significando “raio”.

Uma elipse possui dois eixos, um maior e outro menor. A linha que corta os dois pontos focais indo até o local onde o planeta estaria quando sua órbita passasse por esta reta nos dois extremos, forma o eixo maior. Na metade do eixo maior, a linha que o corta verticalmente indo de encontro ao planeta quando sua órbita cruzar esta linha, é o eixo menor. Do cruzamento do eixo maior com o menor passamos a ter o semieixo maior e o semieixo menor. Quando os dois pontos focais estão posicionados no mesmo lugar temos um círculo e se os dois pontos focais estão muito distantes passamos a nos aproximar de uma linha reta. No caso do sistema solar a elipse formada pelos dois pontos focais tem pouca excentricidade, de modo a se aproximar de um círculo. A excentricidade é o termo usado para descrever o afastamento entre os pontos focais de modo a se afastar da forma esférica. Em virtude da excentricidade ser pequena, a distância do ponto focal onde está o sol até o planeta pelo semieixo maior também pode ser usado na fórmula.

Pensemos em “K” para a constante resultante. Constante igual para todos os planetas no sistema solar.

Deste modo, “T” elevado ao quadrado dividido por “D” elevado ao cubo é igual a “K”. E esta constante “K” é igual para a Terra, Marte, Vênus, Júpiter e demais planetas de nosso sistema solar. Daí temos uma harmonia que pode ser comparada a uma música em uma partitura musical. Deste modo passamos a ter a formulação da terceira lei de Kepler.

3º- Lei harmônica ou lei dos períodos. O quadrado do período de revolução do planeta é proporcional ao cubo do semieixo maior de sua órbita. Para qualquer planeta de nosso sistema solar, o tempo que este leva para dar uma volta completa ao sol (período de revolução), dividido pelo cubo do eixo maior (a maior distância entre o planeta e o sol) é uma constante.

Ou dito de outra forma, esta lei afirma que o período orbital de um planeta elevado ao quadrado é proporcional diretamente ao cubo de sua distância média até o sol.

Também afirma que a razão obtida entre o quadrado do período orbital é proporcional diretamente ao cubo da distância média do planeta ao sol.

Afirma também que a razão entre o quadrado do período orbital e a distância média do planeta ao sol é uma constante igual em todos os planetas de nosso sistema solar.

Os quadrados dos períodos de revolução são proporcionais aos cubos das distâncias médias do sol a cada planeta. Deste modo afirma-se uma relação existente entre cada planeta em sua revolução (uma órbita completa ao redor do sol) e a distância deste planeta ao sol.

Existe uma relação entre a distância do planeta ao sol e o tempo em que este planeta demora para completar sua órbita (revolução) ao redor do sol, logo, planetas mais distantes do sol levarão um tempo maior para percorrerem uma órbita completa ao redor do sol.

Kepler tende a apoiar a teoria de Copérnico e a questionar a teoria de Aristóteles e Ptolomeu, saímos do geocentrismo para o heliocentrismo, no entanto, o movimento circular dos astros é substituído por um movimento em forma de elipse. Com Copérnico, Kepler afirma que não é a Terra que está imóvel e sim o sol. E que é a Terra e os cinco planetas conhecidos, por serem vistos a olho nu, que se movem ao redor do sol. Saem os epiciclos e entram as elipses. O sistema é simplificado, diminuindo a grande quantidade de círculos por uma única elipse por planeta. Também temos a contribuição no tocante à velocidade variável dos planetas. São contribuições que irão mudar a astronomia e influenciar, também, o desenvolvimento posterior da física.

Segundo a abordagem de Kepler, torna-se necessário observar os fenômenos, comprovar os dados, formular hipóteses, formular leis. Cabe destacar que o trabalho de Kepler envolveu vários outros temas de destaque e não somente o movimento dos planetas pelo qual ficou conhecido na história. Aperfeiçoou o telescópio de Galileu, descobriu dois novos poliedros regulares, apresentou a primeira prova do modo de funcionamento dos logaritmos, produziu tábuas astronômicas de alta precisão, etc. Dentre outros tópicos também interessantes, coube a ele por meio de cálculos com relação à correção da imprecisão dos calendários, calcular que a data do nascimento de Jesus Cristo se daria em 4 a.C. Por todos estes dados comentados e outros não abordados aqui, bem como por sua influência não somente na astronomia, física e astrofísica, mas também em outros campos do saber, como a filosofia, e ao próprio desenvolvimento de nossa civilização e cultura, Kepler torna-se fundamental para o entendimento dos desenvolvimentos posteriores na ciência e também na filosofia.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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