Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

Sites na Internet – Doutor Silvério

1- Site: www.doutorsilverio.com

2- Blog 1 “Ser Escritor”: http://www.doutorsilverio.blogspot.com.br

3- Blog 2 “Comportamento Crítico”: http://www.doutorsilverio42.blogspot.com.br

4- Blog 3 “Uma boa idéia! Uma grande viagem!”: http://www.doutorsilverio51.blogspot.com.br

5- Blog 4 “O grande segredo: A história não contada do Brasil”

https://livroograndesegredo.blogspot.com/

6- Perfil no Face Book “Silvério Oliveira”: https://www.facebook.com/silverio.oliveira.10?ref=tn_tnmn

7- Página no Face Book “Dr. Silvério”: https://www.facebook.com/drsilveriodacostaoliveira

8- Página no Face Book “O grande segredo: A história não contada do Brasil”

https://www.facebook.com/O-Grande-Segredo-A-hist%C3%B3ria-n%C3%A3o-contada-do-Brasil-343302726132310/?modal=admin_todo_tour

9- Página de compra dos livros de Silvério: http://www.clubedeautores.com.br/authors/82973

10- Página no You Tube: http://www.youtube.com/user/drsilverio

11- Currículo na plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8416787875430721

12- Email: doutorsilveriooliveira@gmail.com


E-mails encaminhados para doutorsilveriooliveira@gmail.com serão respondidos e comentados excluindo-se nomes e outros dados informativos de modo a manter o anonimato das pessoas envolvidas. Você é bem vindo!

sábado, 6 de junho de 2020

Sucesso e felicidade


Por: Silvério da Costa Oliveira.

Sucesso é conseguir o que se quer, felicidade é estar satisfeito com o que se tem. Um se volta para uma realização em um futuro que se tornará presente e outra faz referência ao momento presente, ao aqui e agora, ao que vivemos enquanto respiramos. Vivemos em um dado meio. Poderíamos viver isolados em uma floresta tendo de enfrentar condições naturais para nossa sobrevivência, mas vivemos hoje em uma sociedade complexa onde dependemos do compromisso e trabalho de outras pessoas para sobrevivermos. Tanto na floresta como também na sociedade, temos regras oriundas de um processo de aprendizagem, da experiência, que nos proporcionam viver bem. Se conhecemos a fundo as regras sociais que movem as demais pessoas, temos plena chance de obtermos sucesso em nossos intentos. Não é magia e sim conhecimento.
Não se trata aqui de ser o cara certinho e que se comporta como todos esperam que se comporte ou que faça exatamente aquilo que os outros esperam que você faça, que faça o certo e bonito e não o errado e feio na opinião de outros, se você pensar assim será um fracassado infeliz, pois, mesmo quando chegar a algum lugar e conseguir atingir alguma meta que seja reconhecida por todos como sucesso, este será o sucesso aos olhos de outras pessoas e não aquilo que você realmente quer e sua felicidade também não existirá, pois aquele não será você e sim o que os outros querem que você seja. Mesmo quando os outros pensam que estamos errados e feios, podemos estar certos se estamos no caminho que queremos de fato percorrer.
Autor de três livros sobre o tema: “Vencer é ser feliz: A estrada do sucesso e da felicidade”, “Primavera da prosperidade” e “Profetas do sucesso”, tenho por convicção que sucesso e felicidade são coisas diferentes e que podem ambas serem aprendidas. Em uma sociedade as pessoas se comportam dentro de determinadas regras sociais e emocionais e de posse do conhecimento sobre o que move as pessoas, podemos obter sua ajuda naquilo que buscamos. Em primeiro lugar, claro está, é preciso saber o que se busca. O sucesso é simples, não é algo complicado. Muitas pessoas sonham em ser e ter muitas coisas, mas jamais trazem seus vagos sonhos de glória para o papel, traçando um projeto, metas e datas. Estudar também é muito importante para conhecer o campo onde devemos atuar e neste tocante não podemos esquecer de aprender como as pessoas se comportam. Quando colocamos nossos sonhos por escrito em um projeto de vida com metas a serem atingidas em determinadas datas, nos aproximamos da concretização dos mesmos, pois, estes deixam de ser meros sonhos para serem metas a serem alcançadas.
Muitas pessoas falam que quando tiverem isto ou aquilo outro, farão algo e aí sim serão felizes para todo o sempre e vivendo nesta equivocada ilusão constroem para si palácios de fracasso por não tentar, e infelicidade por uma vida não vivida. Apesar de popular, este ordenamento é errado. Não devemos colocar o “ter” na frente do “ser” a não ser que busquemos uma vida medíocre. A ordem natural das coisas muitas vezes nada tem a ver com a mera opinião popular, se as pessoas em sua maioria soubessem o que fazem, não veríamos os resultados que vemos. Para se ter sucesso em algo e viver feliz, cabe ajustar a ordem certa das coisas, na qual primeiro somos algo, ou seja, temos confiança plena de assumir o que somos e em consequência disto, o que inevitavelmente conquistaremos após trabalhar para tal e não ficar sentado esperando que o maná caia dos céus. Primeiro, portanto, “ser”, depois “fazer” e por fim “ter”, esta é a verdadeira e única ordem possível para se atingir o sucesso e a vitória em alguma coisa qualquer que você realmente queira.
Uma fórmula para o sucesso pode ser estabelecida do seguinte modo PP+E=A, onde PP é pensamento positivo, E é entusiasmo e A é ação. Entenda, se você não acredita que irá conseguir, com certeza não irá. Existem muitas formas de se auto boicotar ou de postergar o trabalho necessário para algo fazer. Aliás, aqui temos também um grande abismo que para alguns parece instransponível: o trabalho duro. De um lado o sonho e do outro lado de um abismo aparentemente instransponível temos a realização. A ponte para atravessar este abismo é construída por meio unicamente do trabalho duro. Sonhar é fácil, mas realizar requer muito suor. Sem trabalho duro não há realização possível e esta é a diferença entre aqueles que sonham em ser atletas e os verdadeiros atletas medalhistas, é a diferença entre sonhar em ser escritor e escrever um romance de 700 páginas. Sonhar não dá trabalho e é gratificante em si, como também falar para os outros sobre o que um dia pretendemos fazer, deste modo, seja pelo sonho ou pela fala, obtemos todo o prazer antecipadamente e jamais pagamos o empréstimo deste prazer, jamais realizamos, pois já formos pagos em nossa fantasia e sem a necessidade do trabalho duro, este sim, a verdadeira ponte entre de um lado o sonho e de outro a realização. Agora, se você tem pensamento positivo e entusiasmo, não há como impedir que se gere ação em direção a algo, que se faça alguma coisa motivada pelo entusiasmo e amparada pela crença que dará certo e que tudo correrá bem ao final.
Poderia acrescentar nesta fórmula simples, a “confiança” e “auto-confiança”, e a “persistência”, deste modo teríamos PP+E+A+(C+AC)+P=VC, onde VC é “vitória certa”. Sem entusiasmo não temos energia suficiente para fazer seja lá o que for. É preciso querer muito algo e isto ser uma gratificação em si mesmo para nós. E sem confiança ou autoconfiança não temos como fazer do modo correto as coisas que teremos de fazer para obter o que de fato queremos. Parece complicado, mas não é. Por vezes em nossa vida demonstramos todas estas qualidades, seja em uma conversa informal em um bar, numa partida de futebol ou outro jogo, em uma atividade rotineira que dominamos, em um hobby que nos dá prazer, em um prato que fazemos na cozinha, no trato com alguém, etc. Mas esquecemos de utilizar estas mesmas qualidades que já possuímos naquilo que queremos que seja nossa vida em um dado momento futuro. O futuro começa hoje e é fruto de todo investimento que queiramos ou não, hoje fazemos, seja para construir um momento glorioso ou para ter uma vida insípida. A responsabilidade é sempre sua.
Já a felicidade está vinculada intimamente em gostar do que fazemos hoje, aqui e agora. Se você sai de moto para atravessar um continente, sua chegada ao destino será a concretização do sucesso de sua empreitada, mas cada quilómetro de estrada trará a si o prazer único de ser percorrido e esta experiência está associada a felicidade. Neste tocante, mesmo dificuldades e situações de extrema tensão diante dos limites de nossas forças, podem trazer uma experiência única e indizível de felicidade. São aqueles momentos que nos fazem realmente sentir vivos, vivendo em plenitude.
Você pode, se pensa e sabe que pode. Não há como impedir alguém determinado, que se prepara, estuda e estrutura um projeto de vida, pois, mesmo que você não chegue ao seu destino final, terá vivido uma vida rica digna de um filme, com tentativas e realizações, sendo feliz a cada momento, pois, a felicidade está no que você faz e não no que você consegue.

Silvério da Costa Oliveira.

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
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(Respeite os Direitos Autorais – Respeite a autoria do texto – Todo autor tem o direito de ter seu nome citado junto aos textos de sua autoria)

sábado, 30 de maio de 2020

Fantasias sexuais


Por: Silvério da Costa Oliveira.

A sexualidade humana é muito complexa e de modo algum se limita apenas à reprodução, pois, se o fosse, bastaria ao ato sexual o procedimento básico entre um homem e uma mulher ao qual chamamos intercurso sexual, mas o que temos, em verdade, é uma infinidade de comportamentos direta ou indiretamente ligados a sexualidade e não a reprodução propriamente dita.
O prazer e a sexualidade humana se vinculam com sua aprendizagem, a cultura na qual foi criado, sua racionalidade, suas emoções, seu humor, sua criatividade e sua imaginação. O somatório de vários fatores que compõe o ser humano o tornam um animal sofisticado e complexo e fazem o mesmo de sua vida sexual. Diante desta complexidade o prazer sexual se apresenta a par com as mais diversas e distintas fantasias, muitas já catalogadas em grupos por médicos, psicólogos e outros pesquisadores, mas não é possível fazer uma mera lista de todas as fantasias possíveis de serem criadas e associadas ao prazer de cunho sexual. Aqui não há certo ou errado, se bem que alguns comportamentos possam denotar alguma patologia ou mesmo crime em dada conjuntura social. Um adulto ter qualquer contato com uma criança é entendido pela nossa atual sociedade como um comportamento criminoso ou doentio, por exemplo.
Comportamentos distintos e tentativas de classifica-los no âmbito sexual é o que de fato não nos falta: heterossexualismo, homossexualismo, transexualismo, lesbianismo, sexo oral, felação, cunnilingus, analingus, masturbação, beijos e carícias, intercurso sexual, intercurso anal ou coito anal, bolina, karezza, jogo amoroso, técnicas de mordidas, necking, petting, rápidas, sedução, sexo ao ar livre ou em qualquer lugar não convencional, excentricidades sexuais, troilismo ou ménage à trois, swing, sexo grupal, prostituição, poligamia, sexo extraconjugal ou adultério, incesto, strip-tease, ninfomania, sadismo, masoquismo, sadomasoquismo, travestismo, voyeurismo, exibicionismo, fetichismo, necrofilia, coprofilia, coprolalia, bestialismo ou zoofilia, pederastia, hermafroditismo, parcialismo, mixoscopia, vampirismo, anti-fetichismo, etc. (vide capítulo 9, “Comportamentos sexuais”, de meu livro: Sexo, sexualidade e sociedade).
Mas em verdade o que temos é uma série de comportamentos que podem estar associados ao prazer de cunho sexual de um ou mais dos parceiros envolvidos no ato ou atividade sexual. Às vezes estes comportamentos são bem mais elaborados e às vezes mais simples e vão desde complexas tramas sociais que possam envolver outras pessoas até o mero trajar uma determinada roupa e representar um papel visando estimular o parceiro para o ato. Em si, fantasias sexuais não são certas ou erradas, se bem que precisem ser analisadas de acordo com as convenções sociais reinantes naquele tempo histórico específico, pois, práticas sexuais aceitas em dada época histórica em dada sociedade podem facilmente serem fortemente negadas e proibidas em outra sociedade ou época histórica. As coisas mudam e mudam radicalmente.
Não há aqui uma receita de bolo pronta para ser usada em qualquer tempo ou lugar. A pederastia, por exemplo, na qual homens adultos se relacionam com adolescentes masculinos, hoje recebe o interdito da pedofilia, mas era aceito e comum na cidade Estado de Atenas, da Antiguidade. Mulheres já foram apedrejadas por adultério e, no entanto, temos hoje em diversas cidades casas de swing onde maridos levam suas mulheres para que ambos tenham liberdade de relação sexual com outras pessoas. Comportamentos sexuais estão em mudança não somente na preferência das pessoas, mas também na própria aceitação social dos mesmos. O que hoje é negado amanhã poderá ser aceito e visse versa.
Não sendo, portanto, considerado algo doentio ou criminoso naquele momento histórico e social, não vejo porque não experimentar a título de brincadeira e estimulante sexual, desde, claro está, que não seja mero modismo ou imitação de outros visando a demonstrar o pertencimento a um dado grupo e sim uma expressão genuína de desejo, paixão e excitação. Um estimulante e não um substituto do ato sexual propriamente dito, um acréscimo a uma relação íntima entre dois ou mais seres humanos e não uma fuga elaborada de qualquer tipo de intimidade com outros seres humanos.
Em 21/12/2007 publiquei um e-mail de um leitor de meus trabalhos no qual relata sua fantasia com o uso de uma dada peça de roupas e fiquei surpreso com a repercussão que esta análise teve, pois, gerou uma grande quantidade de outros comentários por parte de muitas outras pessoas cujo prazer sexual mais intenso se encontrava de alguma forma ali também presente. O texto publicado em www.doutorsilverio.blogspot.com “Homem que usa calcinhas” e também em meu livro “Sexualidade em foco: Correspondência com os leitores 1”, apresenta bem esta questão da fantasia vinculada a uma peça de roupa, onde vestir-se com uma peça do vestiário feminino por baixo das roupas normais masculinas ou durante o ato sexual venha a trazer forte prazer de cunho sexual ou aumentar a intensidade do mesmo, sem, no entanto, que a pessoa se identifique com um comportamento homossexual.
Temos também muito presente a dor ou a submissão, as quais até um certo nível não trazem preocupações com relação a ser um comportamento doentio ou criminoso, havendo, inclusive e totalmente, a anuência do parceiro, por vezes colocada em um contrato escrito no qual as partes se comprometem com relação ao que possa ou não possa ser feito. Mas também temos de modo mais simples, o uso de gotejamento de cera de vela sobre o corpo do parceiro, palmadas no bumbum ou no rosto durante o ato, uso de algemas ou mesmo celas, roupas especiais ou meramente em couro, escolha de lugares estranhos ou bizarros para o ato, etc.
Atender às fantasias sexuais pode ser algo bom e estimulante para o casal, favorecendo a intimidade e as trocas emocionais, no entanto, nem todas as fantasias devem ser postas em práticas, muitas não passam mesmo de divagações sobre um tema e sua prática poderia vir a gerar mais dor do que prazer. Fantasiar e mesmo falar durante o ato sobre alguma prática pode ser algo muito excitante, enquanto por sua vez, pôr em prática pode não ser. Esta diferença é fundamental e o juízo sobre o que deva ficar somente na fantasia e o que deva ser representado na realidade caberá, claro está, ao discernimento das pessoas envolvidas e seu conhecimento sobre seu próprio prazer, sobre seu corpo, sobre suas limitações e liberdade.
Cada casal é diferente de outro e uma dada fantasia muito prazerosa para uns pode ser indiferente, rotina ou mesmo desprazerosa para outro casal. Para preservar a juventude de um relacionamento é preciso manter constante o prazer e interesse sexual pelo parceiro e isto se dá não meramente copiando o que outros possam estar fazendo e sim em investir na sinceridade de expor e vivenciar seus próprios desejos mais íntimos, suas fantasias sexuais, suas brincadeiras e descobertas a dois. Aquilo que possa ser um tabu para um casal pode muito bem ser uma rotina para outro que não traga novidade ou amplie os horizontes, por sua vez, o que para um casal poderia ser visto como algo por demais simples e banal, pode muito bem ser para outro algo que proporcione o máximo de excitação e desperte o fogo da paixão. Cabe ao casal ter curiosidade e coragem para descobrir e vivenciar o que lhe dá prazer e não meramente seguir modismos como se a relação sexual fosse a última roupa da moda, a qual vestimos mesmo se esta não nos fique bem e não combine com nosso corpo e personalidade.
Ponha na balança sua liberdade, seu prazer, sua vida, seu parceiro, sua sexualidade, observe com atenção o que você tem feito de sua curta vida e que histórias tem hoje para contar. Qual o tempero de sua vida? Seria um bom filme que você gostaria de assistir em uma sala de cinema? Está tudo perfeito ou há alguma mudança a fazer? Meu conselho é que você busque sua verdadeira identidade, que olhe para dentro de si mesmo e descubra não somente o que você quer, mas também o que lhe dá ou não prazer e como poderia viver mais intensamente cada dramático e único momento de sua vida.
Se o que fazemos em nossas fantasias aumenta nosso tesão, desempenho, prazer e interesse sexual sem nos comprometer ou ferir a outros, então pode ser algo bom e saudável para o casal ou para com as pessoas envolvidas. Sair da rotina e transformar o ato sexual em uma brincadeira divertida tende a proporcionar aumento do prazer e interesse sexual. Em um relacionamento longo podemos ter uma constante rotina renovada todos os dias onde não mais se espera por fazer sexo, pois já se sabe antes do começo tudo o que ocorrerá, ou podemos ter um novo começo a cada nova relação, criando novidade, emoção e paixão diante de uma renovação criada a partir do mais íntimo de cada um dos parceiros. As fantasias sexuais são importantes não somente para a preservação de um relacionamento com a mesma intensidade de seu início, mas também para o próprio estímulo sexual renovado de cada pessoa em si mesma no decorrer dos anos de sua vida íntima.

Silvério da Costa Oliveira.

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
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sábado, 23 de maio de 2020

Sexo e sexualidade


Por: Silvério da Costa Oliveira.

Em nossa sociedade o tema da morte, tão normal e comum aos humanos de tempos passados, torna-se cada vez mais um tema de mau gosto que deva ser educadamente evitado e sobre o qual recai um forte tabu social, já o tema do sexo, que ainda há poucas décadas era tabu, vai deixando de sê-lo e ocupando um espaço cada vez maior nos debates cotidianos. Claro, no entanto, que ainda resvala em fortes contradições sociais e polêmicas diversas. Autor de livros e artigos sobre sexo e drogas, tive por vezes a experiência de encontrar ouvintes em palestras presenciais muito mais receptivos para temáticas oriundas do uso abusivo de drogas do que de comportamentos sexuais, estes últimos por vezes fortemente vinculados erroneamente a questões de fundo religioso.
O sexo está diretamente relacionado ao gênero (macho, fêmea) e a reprodução, já a sexualidade se relaciona mais diretamente a conformidade a um gênero, as formas de obtenção de prazer, a busca de determinados prazeres ou práticas. A libido e o prazer tendem a estar mais próximas ao conceito de sexualidade, apesar deste nunca poder ser totalmente dissociado do conceito de sexo. Ambos interagem juntos nas relações humanas e sociais. Se quiséssemos construir uma metáfora sobre o tema, poderíamos visualizar o sexo como um carro e a sexualidade como o combustível que o move ou mesmo ao condutor que o guia.
As pessoas não são iguais e isto em virtude de vários fatores que vão desde uma herança genética e fatores biológicos até questões sociais, econômicas e educacionais. A história de vida e aprendizagem de cada um é única e como tal há de interferir também na forma que cada qual vivencia sua própria sexualidade e como convive com seu sexo ou com o sexo. Em geral e em virtude de uma sociedade confusa e repressora, este convívio individual não é bom e piora na medida do encontro com o outro, cujos problemas e anseios também aqui se fazem presentes. Há quem diga que “sexo é vida”, se tomarmos esta frase como verdadeira, caberia comentar que é possível terminar com um parceiro e recomeçar com outro ou mesmo ter vários parceiros sexuais ao mesmo tempo, só ou acompanhado é uma escolha, onde não cabe apenas terminar com a vida.
O ser humano é fruto de um processo lento e gradual de educação e aprendizagem no qual por vezes aprendemos conceitos errados que reforçam preconceitos ao invés de propiciarem a criação de conceitos embasados na realidade. Claro que o mecanismo relacionado ao sexo está vinculado à reprodução e continuidade da espécie, mas não é só isto, pois nós não nos comportamos sexualmente como os demais animais em seu processo reprodutivo. Para nós, seres humanos, torna-se muito importante todo um entorno envolto pelo prazer da sexualidade que pode, inclusive, abolir meramente o sexo reprodutivo e inverter o sexo de gênero, a par com isto e gerando muita frustração e sofrimento, temos presentes raciocínios, muitas vezes falhos, sobre o que venha a ser o certo e o errado, em geral também incluindo aqui o que supostamente uma dada entidade sobrenatural gostaria que fizéssemos ou deixássemos de fazer, opiniões estas expressas por interpretação dada pelo conjunto majoritário de uma ou mais religiões.
Se formos pensar unicamente na mecânica do sexo enquanto ato sexual, nada melhor e mais expressivo do que um filme pornô onde os atores se atem ao ato, a toda a mecânica nele envolvido, mas será só isto? Existem preferências, processos educacionais, desejo, repugnância, aprendizagens corretas e inadequadas, emoções diversas, compatibilidades e incompatibilidades diversas entre as pessoas envolvidas que tornam um filme pornô tão distinto da realidade quanto qualquer outro filme de qualquer outro gênero quando diante da realidade que o mesmo procura retratar. Ou alguém tem dúvida que um filme, por exemplo, policial ou de espionagem, está muito distante da real realidade da vida de pessoas que trabalham na polícia ou na espionagem?
O sexo poderia ser algo simples voltado à reprodução e preservação da espécie, mas a partir do momento em que nós somos seres emocionais e racionais que buscam entender e explicar a tudo, mesmo que por mentiras inventadas para entreter crianças no alvorecer da humanidade e consagradas como verdades definitivas por grupos distintos no decorrer de nossa história, tende a se tornar motivo de dor e sofrimento e não prazer e integração.
Depois de anos escrevendo e ouvindo sobre o tema, tenho por convicção que o sexo enquanto ato é sentido e vivenciado de modo diferente por diferentes pessoas. Há aquelas que preferencialmente irão se relacionar com pessoas do mesmo sexo, enquanto que outras irão preferir relacionarem-se com pessoas de sexo diferente ao seu, há os que gostam muito do ato sexual e suas derivações e tem a necessidade de muitos relacionamentos não somente com pessoas diferentes, mas também de modos diferentes, há os que realmente não gostam de fazer sexo e se o fazem é somente para agradar a uma pessoa que querem como parceiro ou para atender a exigências sociais. Este grupo dos que não gostam de fazer sexo é inclusive muito maior do que meramente se imagina e tem sido enormemente negligenciado. Há os que possuem algum comprometimento que lhes afeta o ato ou o prazer do mesmo e, portanto, dele se afastam ou não o vivenciam como gostariam ou poderiam fazer. Enfim, o sexo não é um rio que corre livremente e sim um com vários afluentes e bloqueios, nos quais os castores fazem suas pequenas represas e barragens.
Medo, muito medo, frustrações, ciúmes, egoísmo e diversas outras emoções e paixões não produtivas estão aqui também presentes. As pessoas por vezes se atem no seu pequeno mundinho emocional cognitivo e esquecem que o outro é livre e independe do que você quer ou não que ele seja. Nós só podemos compartilhar nosso tempo com este outro, mas jamais seremos este outro ou este outro será nós. Cabe viver o momento presente enquanto agradável for, como se este fosse o último de nossa curta vida, pois, queiramos ou não, mesmo quando encontramos a pessoa maravilhosa que sempre buscamos, um dia iremos perde-la, pois, se não a perdermos para a vida, a perderemos para a morte e não há traição nisto. Ir embora não é trair, trair é quebra de contrato, seja este explícito ou implícito, e não pode envolver a eternidade de um momento, de uma emoção, de um sentimento, de um prazer. Melhor seria nos livrarmos das atitudes, emoções e sentimentos negativos e se tivermos a sorte de encontrar alguém que nos atenda sexualmente nos fazendo sentir bem, viver em profundidade tal relacionamento como se eterno fosse, eterno enquanto dure.
Há também aqueles que justamente quando o relacionamento sexual é muito bom e começa a se ampliar para outras áreas de sua vida, tornando mais íntimo de uma dada pessoa em particular, tendem a fugir com receio de criar um vínculo no qual fiquem presos. Se o sexo é ruim alguns dão o fora e se é muito bom, outros dele também fogem. Complicado.
Ciúmes excessivos, querer controlar, perseguir, vigiar ou contratar alguém para que o faça, são coisas que não pertencem ao amor e sim ao medo e a necessidade de posse do outro, mas o outro não é algo do qual possamos ter posse como se um escravo nosso fosse. Podemos sim escolher entre ficar ou partir, se não está bom então pode ser hora de partir, e se está bom pode ser hora de ficar, mas querer dominar o outro só tende a levar ao desespero em virtude da impossibilidade natural de tal comportamento que presume um senhor e um escravo sem vontades, desejo ou consciência própria.
Às vezes duas pessoas se entendem muito bem e a partir de uma relação sexual gratificante para ambos passam a viver juntos, ou em maior e mais intensa proximidade, e neste momento, por vezes algo ocorre de errado e um dos parceiros percebe que o outro tem energia suficiente para atuar em todas as outras facetas de sua vida (trabalho, educação, filhos, etc.), mas quando o assunto é sexo vem a tristeza de não fazer ou não em intensidade e no lugar da prática sexual aparece cansaço, muito sono, a famosa dor de cabeça, desculpas diversas que na sua sinceridade e realidade encobrem a realidade da falta de relações sexuais plenas e na quantidade querida pelo outro parceiro. Início do fim, começo das buscas internas e externas pela solução, mesmo que esta envolva outras pessoas ou mesmo um fim e um novo início com alguém outro que possa, mesmo que na fantasia, completar as carências nua e cruelmente expostas. O desejo não se prende. Ou ele é liberado ou sufocado, e neste último, com todas as consequências nefastas e sintomáticas que o mesmo proporcionará enquanto busca por todos os meios possíveis e impossíveis uma válvula de escape por onde possa fluir em intensidade.
Há os que conversam pouco e o problema é dado como falta de comunicação, mas há também os que conversam muito e mesmo assim as horas passadas no trabalho ou no happy hour são intensas e contam com uma energia inesgotável que o parceiro lamenta não encontrar no momento do ato ou das práticas sexuais, onde o esgotamento emocional e físico ou o cuidado com a casa e os filhos e demais afazeres gritam ensurdecedoramente por sua atenção. A soma de boicotes os mais distintos e justificáveis possíveis no tocante a prática sexual, conscientes ou inconscientes, intencionais ou não, levam ao afastamento e também ao desgaste prematuro de uma relação que pode gerar dor e sofrimento onde deveria haver prazer e pode vir a provocar por um ou por ambos a busca de relações outras, emocionais ou somente sexuais, visando a suprir a ausência ou incompetência do parceiro na relação sexual.
A vida é curta, muito curta mesmo para ser desperdiçada. A busca é algo imperativo em nossa espécie. Estamos sempre buscando algo, seja alimento, moradia, sexo ou qualquer outra coisa mais. No entanto, cabe atentar ao momento de chegada e se de fato chegamos onde queremos estar ou se este lugar é um breve descanso diante da caminhada porvir. Seria ótimo encontrarmos em uma única, ou mesmo em poucas pessoas mais próximas, tudo o que buscamos, mas na verdade isto é bem difícil e devemos nos ater ao que cada um pode dar e receber. Se a ênfase é o sexo e a relação sexual, ao ato e práticas sexuais de um casal, se uma das partes não se vê em condições de atender a outra, cria-se um abismo de desentendimentos no lugar onde prazer e sentimentos ternos deveriam perdurar. A solução, claro está, é viver e continuar vivendo e encarar a vida como uma caminhada e não como um destino a chegar, se soltar e viver como o fluir de um rio, outras pessoas podem nos acompanhar nesta caminhada, mas isto não é dever delas, uma vez que elas também são por sua vez um rio que flui e devem ser respeitadas neste aspecto, em sua individualidade constante e permanente por mais que a neguemos e mintamos para nós próprios. Quando encontramos nossa sexualidade mais legítima, nosso prazer sexual em práticas e atos que nos deem prazer e nos afastem da dor, do sofrimento, do medo, da renúncia, do nojo e de demais sentimentos e emoções negativas, encontramos a vida ou pelo menos parte de nossa real vida.

Silvério da Costa Oliveira.

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.
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