Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

Sites na Internet – Doutor Silvério

1- Site: www.doutorsilverio.com

2- Blog 1 “Ser Escritor”: http://www.doutorsilverio.blogspot.com.br

3- Blog 2 “Comportamento Crítico”: http://www.doutorsilverio42.blogspot.com.br

4- Blog 3 “Uma boa idéia! Uma grande viagem!”: http://www.doutorsilverio51.blogspot.com.br

5- Blog 4 “O grande segredo: A história não contada do Brasil”

https://livroograndesegredo.blogspot.com/

6- Perfil no Face Book “Silvério Oliveira”: https://www.facebook.com/silverio.oliveira.10?ref=tn_tnmn

7- Página no Face Book “Dr. Silvério”: https://www.facebook.com/drsilveriodacostaoliveira

8- Página no Face Book “O grande segredo: A história não contada do Brasil”

https://www.facebook.com/O-Grande-Segredo-A-hist%C3%B3ria-n%C3%A3o-contada-do-Brasil-343302726132310/?modal=admin_todo_tour

9- Página de compra dos livros de Silvério: http://www.clubedeautores.com.br/authors/82973

10- Página no You Tube: http://www.youtube.com/user/drsilverio

11- Currículo na plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8416787875430721

12- Email: doutorsilveriooliveira@gmail.com


E-mails encaminhados para doutorsilveriooliveira@gmail.com serão respondidos e comentados excluindo-se nomes e outros dados informativos de modo a manter o anonimato das pessoas envolvidas. Você é bem vindo!

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Escola Megárica ou de Mégara (1) * Escolas Socráticas Menores

 


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 A Escola Megárica ou de Mégara foi fundada por Euclides de Mégara (444/435-369/365 a.C.), discípulo de Sócrates. Nesta escola temos uma abordagem que propõe juntar a ética presente no filósofo Sócrates com o monismo presente nos filósofos pré-socráticos, no caso específico dos eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso). Euclides traz dos eleatas a ideia do “um”, do monismo presente nesta escola, e de Sócrates a ideia de “Bem”.

Devido às preocupações desta escola com a lógica, se dedicaram ao desenvolvimento e aplicação da dialética, motivo pelo qual por vezes são chamados de erísticos (aqueles que praticam disputas; disputantes).

Euclides e sua escola tinham por base duvidar do testemunho obtido por meio dos sentidos (percepção) no tocante aos mesmos corresponderem a uma dada realidade objetiva, admitiam uma unidade absoluta ao estilo de Parmênides e Zenão e a igualavam ao bem, tendo este último conceito a partir da ideia de bem presente na filosofia de Sócrates. Do mesmo modo que os filósofos eleatas, consideram os sentidos enganosos, confiando exclusivamente no uso da razão e negando o movimento e mudança, bem como a pluralidade, afirmando a imutabilidade de todas as coisas. Também presente nesta escola temos os conceitos de liberdade, autocontrole e autossuficiência, que os aproximam dos cínicos.

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terça-feira, 12 de julho de 2022

Escolas Socráticas Menores: Escola Megárica ou de Mégara

  Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Escola Megárica ou de Mégara – Euclides de Mégara

 A Escola Megárica ou de Mégara foi fundada por Euclides de Mégara (444/435-369/365 a.C.), discípulo de Sócrates. A tradição nos informa que Euclides teria escrito seis diálogos, mas todos se perderam no curso da história, não chegando aos nossos dias. O pouco que conhecemos provém basicamente de Diógenes Laércio.

Morador da cidade de Mégara e ouvinte assíduo das aulas de Sócrates em Atenas (cerca de mais ou menos 40 km), conta-nos a tradição que quando Atenas adotou uma lei que proibia sob pena de morte a presença de cidadãos da cidade de Mégara em Atenas, Euclides saía a noite vestido de mulher e com um lenço cobrindo-lhe a face, percorria a distância entre as duas cidades para ouvir as lições do mestre, retornando pela manhã a sua cidade natal. A tradição também nos conta que após a morte de Sócrates, e temendo pela própria vida, os discípulos de Sócrates que residiam em Atenas buscaram refúgio e abrigo na casa de Euclides, na cidade de Mégara.

No decorrer da Idade Média foi comum o erro de confundir Euclides de Mégara com outro Euclides, o matemático Euclides de Alexandria (323-286 a.C.), este último autor do livro “Elementos”, de geometria e matemática.

 


Nesta escola temos uma abordagem que propõe juntar a ética presente no filósofo Sócrates com o monismo presente nos filósofos pré-socráticos, no caso específico dos eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso). Euclides traz dos eleatas a ideia do “um”, do monismo presente nesta escola, e de Sócrates a ideia de “Bem”, fazendo uma fusão entre ambas, deste modo, só haveria o bem e não o seu oposto. A unidade se daria no Bem. Daí a ênfase dada ao bem moral e a decisão da pessoa em alcança-lo. Euclides considera que o bem é uno e não múltiplo e que tudo que possa se contradizer ao bem é ilusório e inexistente.

O “um” presente no “ser” de Parmênides se iguala ao Bem em Sócrates, de modo a Euclides e sua escola afirmarem só haver um único bem, conhecido por vários nomes: sabedoria, razão, deus, mente e outros. Identifica o ser uno de Parmênides ao bem e também a verdade, a sabedoria, a inteligência, todos nomes distintos para uma mesma coisa. Negava a pluralidade, a mudança e o movimento das coisas. A verdade não pode ser conhecida pelos sentidos, somente pela razão.

Dois princípios básicos se encontram na escola megárica e são provenientes dos eleatas: 1- não existe o múltiplo, seja no mundo físico ou seja na formulação do mundo das ideias de Platão, 2- não existe o movimento e o devir.

Euclides e sua escola fazem uso da lógica e dialética tomando como referência a Zenão e o método dialético negativo, onde se propõe um raciocínio pautado não na refutação das premissas do adversário e sim na refutação da conclusão, mostrando que a suposta conclusão levaria a absurdos, redução ao absurdo. Os integrantes desta escola se dedicaram ao estudo da dialética, enigmas lógicos e paradoxos (como o paradoxo do mentiroso), vindo a influenciar o desenvolvimento da lógica estoica (lógica proposicional).


 

Devido às preocupações desta escola com a lógica, se dedicaram ao desenvolvimento e aplicação da dialética, motivo pelo qual por vezes são chamados de erísticos (aqueles que praticam disputas; disputantes).

Em suma, podemos dizer que Euclides e sua escola tinham por base duvidar do testemunho obtido por meio dos sentidos (percepção) no tocante aos mesmos corresponderem a uma dada realidade objetiva, admitiam uma unidade absoluta ao estilo de Parmênides e Zenão e a igualavam ao bem, tendo este último conceito a partir da ideia de bem presente na filosofia de Sócrates. Do mesmo modo que os filósofos eleatas, consideram os sentidos enganosos, confiando exclusivamente no uso da razão e negando o movimento e mudança, bem como a pluralidade, afirmando a imutabilidade de todas as coisas. Também presente nesta escola temos os conceitos de liberdade, autocontrole e autossuficiência, que os aproximam dos cínicos.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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quarta-feira, 6 de julho de 2022

Escolas de Elis e Eretria (1) * Escolas Socráticas Menores


 

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 Alguns discípulos se dedicaram a divulgar as ideias do mestre e outros fundaram suas próprias escolas, estas outras escolas de filosofia são chamadas de Escolas Socráticas Menores, em número de cinco, que alguns comentadores reduzem para quatro, fundindo a escola de Elis com a de Eretria, na chamada Escola Élico-Erétrica.

Apesar das diferenças, há uma concordância entre todas as Escolas socráticas menores e o pensamento do filósofo Sócrates, de que o maior bem que o humano pode se propor a atingir é a sabedoria. Em verdade, podemos entender que os discípulos de Sócrates priorizaram um ou outro de seu ensinamento ou de sua personalidade, afinal, o material a que temos acesso indica que a personalidade, o modo de ensinar e os ensinamentos de Sócrates não eram simples e sim bem complexos.

1- Escola de Élis – Fédon (século V e IV a.C.)

A Escola de Élis ou Elíaca foi fundada na cidade de Élis, por Fédon, discípulo de Sócrates e se aproxima teoricamente da abordagem empreendida por outra Escola, a Escola Megárica. Muito presente neste movimento temos a dialética. A tradição nos informa que Fédon foi autor de pelo menos duas obras, hoje perdidas, “Zopyro” e “Simón”. Há um diálogo de Platão que leva o nome de Fédon, no qual é narrada a prisão e morte de Sócrates.

Fédon dava grande valor ao poder reformador da educação e da virtude, tendo como exemplo a si mesmo (que foi da condição de escravo e prostituto, para a de filósofo) e Sócrates. A filosofia tem por objetivo a salvação e liberdade, já a virtude é igualada ao conhecimento enquanto ciência e sabedoria.

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: Escola de Eretria

Palavra-chave: educação / virtude

2- Escola de Eretria – Menedemo de Eretria (339/337-265/278 a.C.)

Fundada por Menedemo, discípulo de Estilpón (360-280 a.C.) e de Fédon, aborda como tema central a identidade da verdade e da virtude, bem como do verdadeiro com o bom, seguindo o pensamento socrático. O ser pode ser identificado ao bem, a virtude pode ser identificada a ciência. Entendia que existia uma única virtude, sendo esta a sabedoria, todas as demais virtudes que possamos imaginar são outros nomes para a mesma virtude, que é a sabedoria. Identifica o ser ao bem e priorizava o rigor da moral na conduta humana.

Sofre influência de: Sócrates – Escola de Élis

Influencia: Escola megárica

Palavra-chave: sabedoria / virtude

3- Escola megárica ou de Megara – Euclides de Mégara (450-340 a.C.)

Sofre influência de: Sócrates – Eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso)

Influencia: Cínicos e Estoicos

Palavra-chave: lógica

4- Escola Cirenaica ou Hedonista – Aristipo de Cirene (435-360 a.C.)

Sofre influência de: Sócrates - Protágoras

Influencia: Epicurismo

Palavra-chave: prazer

5- Escola Cínica – Antístenes (444-365/370 a.C.) e Diógenes de Sinope (413-324 a.C.)

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: cristianismo

Palavra-chave: ascetismo / desapego.

 

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terça-feira, 5 de julho de 2022

Escolas socráticas menores: Escolas de Elis e Eretria

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Escolas de Elis e Eretria - Escolas socráticas menores

 Escolas socráticas menores

Após a morte de Sócrates, seu pensamento continuou a influenciar a evolução da filosofia em Grécia. Sócrates nada escreveu, suas aulas eram orais e o aprendizado se dava, também, pela observação que seus discípulos faziam de sua vida e dos debates públicos nos quais se envolvia aleatoriamente na cidade de Atenas. Os principais socráticos são considerados como sendo Platão, e mesmo Aristóteles, mas há outros também importantes. Alguns se dedicaram a divulgar as ideias do mestre e outros fundaram suas próprias escolas, estas outras escolas de filosofia são chamadas de Escolas Socráticas Menores, em número de cinco, que alguns comentadores reduzem para quatro, fundindo a escola de Elis com a de Eretria, na chamada Escola Élico-Erétrica.

Apesar das diferenças, há uma concordância entre todas as Escolas socráticas menores e o pensamento do filósofo Sócrates, de que o maior bem que o humano pode se propor a atingir é a sabedoria. Em verdade, podemos entender que os discípulos de Sócrates priorizaram um ou outro de seu ensinamento ou de sua personalidade, afinal, o material a que temos acesso indica que a personalidade, o modo de ensinar e os ensinamentos de Sócrates não eram simples e sim bem complexos.


 

 

1- Escola de Élis – Fédon (século V e IV a.C.)

A Escola de Élis ou Elíaca foi fundada na cidade de Élis, por Fédon, discípulo de Sócrates e se aproxima teoricamente da abordagem empreendida por outra Escola, a Escola Megárica. Muito presente neste movimento temos a dialética. A tradição nos informa que Fédon foi autor de pelo menos duas obras, hoje perdidas, “Zopyro” e “Simón”. Há um diálogo de Platão que leva o nome de Fédon, no qual é narrada a prisão e morte de Sócrates.

Fédon pertencia a classe alta de sua cidade, mas durante uma das guerras entre os próprios gregos, foi capturado e vendido como escravo, tendo sido liberto por Sócrates, de quem se tornou discípulo. Após a morte de Sócrates, na qual esteve presente, retornou a sua cidade natal, Élis, onde fundou uma escola de filosofia, a qual mais tarde foi transferida para a cidade de Eretria por um de seus discípulos, Menedemo. Há comentadores que juntam as duas escolas sob o nome de escola Élico-Erétrica.

Com relação a Escola de filosofia de Élis e sua continuação em Eretria, pouco ou quase nada sabemos, bem como sobre as ideias defendidas na escola, mas especula-se que os temas eram tratados de modo similar ao adotado por seu mestre, Sócrates. Neste caso, a escola teria mantido uma abordagem eminentemente ética, na qual daria destaque ao valor da virtude.

Fédon dava grande valor ao poder reformador da educação e da virtude, tendo como exemplo a si mesmo (que foi da condição de escravo e prostituto, para a de filósofo) e Sócrates. A filosofia tem por objetivo a salvação e liberdade, já a virtude é igualada ao conhecimento enquanto ciência e sabedoria.

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: Escola de Eretria

Palavra-chave: educação / virtude

 

2- Escola de Eretria – Menedemo de Eretria (339/337-265/278 a.C.)

Fundada por Menedemo, discípulo de Estilpón (360-280 a.C.) e de Fédon, aborda como tema central a identidade da verdade e da virtude, bem como do verdadeiro com o bom, seguindo o pensamento socrático. O ser pode ser identificado ao bem, a virtude pode ser identificada a ciência. Entendia que existia uma única virtude, sendo esta a sabedoria, todas as demais virtudes que possamos imaginar são outros nomes para a mesma virtude, que é a sabedoria. Identifica o ser ao bem e priorizava o rigor da moral na conduta humana.

Do mesmo modo que acontece com a Escola de Élis, da qual esta é continuadora, pouco ou quase nada sabemos sobre suas doutrinas, mas admite-se que se assemelhava a filosofia praticada por Sócrates, dando ênfase à dialética.

Sofre influência de: Sócrates – Escola de Élis

Influencia: Escola megárica

Palavra-chave: sabedoria / virtude

 

3- Escola megárica ou de Megara – Euclides de Mégara (450-340 a.C.)

Fundada por Euclides. Só existe o Bem e nada mais. Não podemos conhecer a verdade pelos sentidos (estes são enganosos, ilusão), somente pela razão. Afirma a não existência do múltiplo/pluralidade, do movimento, da mudança e do devir (Parmênides e Zenão), afirma a imutabilidade de tudo. Prioriza o bem, a virtude, a ética (Sócrates). Nega a existência do mundo das ideias de Platão. Temos presente os conceitos de liberdade, autocontrole e autossuficiência, que os aproximam dos cínicos. Temos o desenvolvimento da lógica, dialética e eurística (debates, disputas) estudo de paradoxos e enigmas lógicos, redução ao absurdo, lógica proposicional, influencia na lógica estóica.

Sofre influência de: Sócrates – Eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso)

Influencia: Cínicos e Estoicos

Palavra-chave: lógica

 

4- Escola Cirenaica ou Hedonista – Aristipo de Cirene (435-360 a.C.)

Fundada por Aristipo. Defende o cosmopolitismo. Entende que conhecemos somente as nossas percepções e que aquilo que percebo (doce, amargo, branco, preto) não é o próprio objeto, pois pessoas diferentes podem ter percepções diferentes de um mesmo objeto. São subjetivistas, sensualistas e materialistas. Entende que a felicidade é o somatório dos momentos de prazer no presente, passado e futuro, já o prazer é momentâneo e vinculado às sensações. Propõe a busca do prazer e a evitação da dor. O prazer é o único bem na vida e a dor é o único mal. O prazer é entendido como o bem supremo. A virtude se encontra na moderação dos prazeres, para que estes não se transformem no futuro em motivo de dor.

Sofre influência de: Sócrates - Protágoras

Influencia: Epicurismo

Palavra-chave: prazer

 

5- Escola Cínica – Antístenes (444-365/370 a.C.) e Diógenes de Sinope (413-324 a.C.)

Fundada por Antístenes e Diógenes. Contrários à escravidão, defendem o cosmopolitismo e total autarquia (autossuficiência moral), buscam a felicidade pelo desapego de todas as coisas desnecessárias para viver. Propõe uma vida ascética (disciplina e autocontrole, do corpo e mente), livre do luxo, das paixões e da riqueza. Busca a liberdade e independência.

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: cristianismo

Palavra-chave: ascetismo / desapego.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Estoicismo (2) * A lógica proposicional de Crisipo de Solos

 


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 O pensamento elaborado dentro do estoicismo pode ser dividido em três partes: física, lógica e ética. A lógica por sua vez, pode ser dividida em dois ramos: a formal e a teoria do conhecimento. Na lógica formal temos que a atenção se dá às proposições, se afastando da lógica de termos de Aristóteles.

Os Estoicos se dedicaram a estudar a gramática e a lógica, apresentando desenvolvimentos significativos nestes campos. Se apresenta como um dos grandes sistemas de lógica da Antiguidade. Sua elaboração se deve ao filósofo Crisipo de Solos, que foi o terceiro a comandar a Escola Estoica, isto no século 3 a. C. Trata-se de uma lógica proposicional que se diferencia da lógica de Aristóteles.

Enquanto a lógica de Aristóteles se baseia em termos apresentados em um silogismo, onde temos o termo maior, o termo médio e o termo menor, nos fornecendo uma lógica estática, a lógica proposta pelos estoicos se baseia no que observamos, trata-se de uma lógica dinâmica e proposicional. Os estoicos sustentam que a realidade não é feita de coisas estáticas e sim de eventos, de movimento. A realidade não consiste em termos separados e sim em um processo, todas as coisas são interrelacionadas. As proposições se apresentam como conjuntivas, disjuntivas e condicionais. Uma proposição é uma frase e não um termo isolado, sua verdade se dá dentro do contexto da frase.

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terça-feira, 28 de junho de 2022

Estoicismo: A lógica proposicional e condicional

  Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Lógica e paradoxos estoicos

 O pensamento elaborado dentro do estoicismo pode ser dividido em três partes: física, lógica e ética. A lógica por sua vez, pode ser dividida em dois ramos: a formal e a teoria do conhecimento. Na lógica formal temos que a atenção se dá às proposições, se afastando da lógica de termos de Aristóteles.


 

 A lógica formal

Lógica estoica (proposicional e condicional)

Os Estoicos se dedicaram a estudar a gramática e a lógica, apresentando desenvolvimentos significativos nestes campos. Se apresenta como um dos grandes sistemas de lógica da Antiguidade. Sua elaboração se deve ao filósofo Crisipo de Solos, que foi o terceiro a comandar a Escola Estoica, isto no século 3 a. C. Trata-se de uma lógica proposicional que se diferencia da lógica de Aristóteles.

Enquanto a lógica de Aristóteles se baseia em termos apresentados em um silogismo, onde temos o termo maior, o termo médio e o termo menor, nos fornecendo uma lógica estática, a lógica proposta pelos estoicos se baseia no que observamos, trata-se de uma lógica dinâmica e proposicional. Os estoicos sustentam que a realidade não é feita de coisas estáticas e sim de eventos, de movimento.

Vejamos o exemplo de um silogismo da lógica de Aristóteles:

Termo maior: Todos os homens são mortais.

Termo médio: Sócrates é homem.

Termo menor: Sócrates é mortal.

A lógica de Aristóteles é uma lógica de termos e a lógica estoica uma lógica de proposições. A realidade não consiste em termos separados e sim em um processo, todas as coisas são interrelacionadas. As proposições se apresentam como conjuntivas, disjuntivas e condicionais. Uma proposição é uma frase e não um termo isolado, sua verdade se dá dentro do contexto da frase.

 Esta lógica se baseia na análise de termos, sendo a menor unidade uma “afirmação”, como, por exemplo, o enunciado “é noite” ou “está chovendo”. O valor de verdade de cada afirmação depende do momento em que é feita a afirmação, ou seja, afirmar que “é noite” durante o dia é falso, do mesmo modo que afirmar que “está chovendo”, se faz um belo dia de sol. A lógica proposicional dos estoicos usa os conectivos “se então”, “se p então q”; “um ou outro”, “p ou q”; “não para ambos”, “não p, não q”.

Falemos agora sobre os argumentos empregados na lógica dos estoicos. Cada argumento pode conter duas ou mais premissas (variáveis) relacionadas, como no exemplo:

Se é noite, é escuro

É noite

Logo é escuro

(ou em notação)

Se p, então q

p

então, q

Crisipo apresentou um total de cinco formas básicas de argumentação que seriam verdadeiras independente de qualquer outra discussão, estes argumentos são compostos por três conectivos, a saber: 1- conjunção, 2- disjunção e 3- negação.

Quando nos referimos aos axiomas presentes na lógica estoica, podemos falar em conjunção (e) onde ambas as afirmações são verdadeiras ou falsas simultaneamente. Também disjunção (ou) onde se uma afirmação é verdadeira a outra é falsa. Também condicional (se) onde a presença de algo é condição da existência de algo outro.

Segundo os estoicos todas as proposições podem se dividir em dois tipos: 1- racionamento ou proposição hipotética ou condicional (se p, então q), 2- disjuntivo (p ou q). A partir destes dois tipos de proposições, dividem em cinco tipos de racionamentos ou proposições logicamente válidas.

 

Modus Ponens

1- (se p, então q)

p

então, q

Se faz sol então é dia

Faz sol, logo é dia

 

Modus Tollens

2- (se p, então q)

não q

logo, não p

Se chove, então a rua está molhada

A rua não está molhada, logo, não chove

 

forma disjuntiva

3- (se p, então q)

não (p e q)

p, então não q

Não pode ser simultaneamente dia e noite

Se não é dia, então é noite

É dia, logo não é noite

 

Se (p e q), então r

Não r

Logo, não (p e q)

 

Forma disjuntiva

Modus Ponendo Tollens

4- (se p, então q)

ou p, ou q

p, logo não q

ou dia ou noite

É dia, logo não é noite

Ou vivo ou morto

vivo, logo não morto

 

 

 

forma disjuntiva

Modus Tollendo Ponens

5- (se p, então q)

ou p ou q

não q, então p

É dia ou noite

Não é noite, logo é dia

 

A implicação é diferente da equivalência, pois, não é reversível. Se p (antecedente) implica q (consequente), não significa que q implique p. Se chove (antecedente), há nuvens (consequente), por exemplo, não é reversível, pois, seria errado dizer que “há nuvens, logo chove”.

Durante a Antiguidade e Idade Média deu-se maior valor à lógica de Aristóteles, de modo que os escritos sobre lógica dos estoicos acabaram se perdendo no decorrer da história, somente no século XX é que a mesma é resgatada por meio do cálculo proposicional. Basicamente o que conhecemos hoje sobre a lógica dos estoicos provém de relatos nas obras de Sexto Empírico, Diógenes Laercio e Galeno.

Na lógica dos estoicos encontramos três elementos básicos em cada enunciado, que são: o som ou a escrita que usamos para se referir a algo; este algo ou coisa a que nos referimos; e um conceito sobre o que seja este algo, este último é uma ideia em nossa mente. Se falo ou escrevo a palavra “mesa”, me refiro a um determinado objeto que pode estar agora na minha frente na sala onde me encontro, mas entre o som ou a palavra escrita “mesa” e o objeto “mesa”, há um conceito mental sobre o que seja uma mesa e como esta se diferencia de outras coisas, como, por exemplo, uma cadeira.

Se estou diante de um gato, o gato em si, aquele que vejo na minha frente é a coisa significada (semainómenon), já o som ou a palavra escrita que faz referência a este gato é o significante (semainon). Tanto o significante (som, palavra), como também a coisa significada (gato), são ambos materiais. O que liga aquilo que falo ou escrevo (significante - semainon) com o objeto ao qual se refere (a coisa significada - semainómenon) é algo imaterial e que existe somente enquanto conceito em minha mente, se referindo não a um indivíduo, mas a todo um grupo, trata-se do significado (lekton). Temos, portanto, o significante (som, palavra), o significado (imagem mental ou conceito) e a coisa significada (neste caso, gato). Atenção para que entre o significante e a coisa significada (ambos materiais), temos o significado (imaterial), o qual se apresenta como um conceito universal presente em nossa mente e que se aplica não a um objeto e sim a uma multiplicidade de objetos com características semelhantes.

Os estoicos também faziam uso de paradoxos, que usavam em seus estudos.

Paradoxos estoicos

1- Paradoxo do mentiroso

Se um homem de determinada cidade diz que, naquela cidade, seus conterrâneos mentem, esta afirmação é verdadeira ou falsa? Sendo do Rio de Janeiro (carioca), se digo: “Os cariocas mentem”. Eu estou dizendo a verdade ou estou mentindo? A frase é verdadeira ou falsa?

2- Paradoxo do crocodilo falante

Um crocodilo está para comer uma criança e a mãe intervém, o crocodilo então diz: Se você acertar se pretendo comer ou não a criança, eu o te darei de volta. A mãe responde que ele pretende comer a criança. Se o crocodilo diz que a mãe errou e come a criança, então a mãe está certa. Se a mãe está certa, então o crocodilo não pode comer a criança. Mas se a mãe está certa, o crocodilo irá comer a criança.

 

Lógica: a teoria do conhecimento

Já na teoria do conhecimento temos a metáfora da mão, que nos fala como as coisas externas nos provocam impressões por meio de nossa percepção, de nossas sensações, formando uma imagem mental. Em um segundo momento precisamos dar assentimento a esta imagem mental, negando ou aceitando a mesma. Em um terceiro momento, havendo a aceitação desta imagem mental, temos a compreensão.

Esta metáfora da mão é muito interessante para melhor compreendermos o conceito de conhecimento tal como os estoicos o entendiam. Esta metáfora provém de um relato feito por um pensador da Antiguidade, Cícero.

Cícero nos cita uma metáfora feita por Zenão para exemplificar por meio de uma imagem o que seria o nosso conhecimento. Esta imagem tem quatro momentos distintos.

1- Mão aberta

A percepção do objeto por meio de nossas sensações e a formação de uma imagem mental. Trata-se de uma percepção passiva da realidade.

Exemplo: Recebo as imagens de nuvens ao olhar para o céu.

2- Mão semi-fechada

A imagem mental pode ser entendida de modo certo ou errado.

Exemplo: Ao ter a percepção de nuvens no céu, posso pensar ver Pégasos, o cavalo alado.

3- Mão fechada

Aqui aceitamos ou negamos a impressão inicial, formando um juízo sobre nossa percepção. Trata-se de um ato mental de assentimento.

Exemplo: As nuvens que foram identificadas com Pégasos, podem agora serem ajuizadas como sendo somente nuvens, cujo formato e a mescla de luz e sombras me levou a crer ser Pégasos.

4- Mão fechada sendo envolvida com a outra mão

Aqui nós temos um confronto da representação com outras representações que possuo em minha memória, com coisas que aprendi e observei no passado. Neste momento temos a consolidação do conhecimento firme da realidade.

Exemplo: Realmente vejo nuvens.

Segundo Zenão, temos que a representação é a mão aberta, o assentimento a mão com os dedos contraídos, a compreensão a mão fechada, a ciência a mão fechada (punho) com a outra mão a enlaçando.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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