Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

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terça-feira, 21 de junho de 2022

Estoicismo: Indiferença para com as paixões, prazeres e dores

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Estoicismo

 Os Estoicos

O nome estoicismo ou escola estoica provém do local onde se reuniam, debaixo de um pórtico (Stoá) pintado (poikílé), fundada por volta de 300 a.C.. Por Zenão não ser cidadão ateniense não podia comprar um imóvel na cidade, por tal motivo ministrava suas aulas neste local público, o que também tornou a escola mais acessível a todos.

Podemos dividir o Estoicismo em três momentos históricos, com a defesa das mesmas teses básicas da Escola. O estoicismo antigo, o médio e o novo ou romano. Temos a antiga Stoá: Zenão de Cítio (335-263 a.C.), Aríston de Quio (século III a.C.), Cleantes de Asso (304-233 a.C.), Crísipo de Solis (304-208 a.C.). A média Stoá: Panécio de Rodes (180-119 a.C.), Possidônio (135-50 a.C.). O Estoicismo Romano: Sêneca (3 a.C. – 65 d.C.), Epicteto (50-125 d.C.), Marco Aurélio (121-180 d.C.).

Com inspiração no Movimento Cínico, surge por volta de 300 a.C. e tem como fundador Zenão de Cítio, da ilha de Chipre, que estava vivendo em Atenas desde um naufrágio do qual conseguiu sobreviver. A tradição nos informa que Zenão teria escrito mais de 700 livros.


 

Zenão era um rico mercador da cidade de Cítio, no Chipre, após um naufrágio que lhe trouxe grande prejuízo, foi até Atenas e ali conheceu diversos ramos de filosofia, vindo também a fundar a sua. Tomou por base que além do mundo material que conhecia e no qual atuava como comerciante, existia também um mundo não material, governado pela razão.

Quando da chegada a Atenas, por volta de 312 ou 313 a.C., e de seus estudos em filosofia, havia várias escolas em atividade. Nesta época temos a Academia fundada por Platão, tendo a frente, na época, Polemon, o Liceu fundado por Aristóteles, e na época gerido por Teofrasto, o Epicurismo criado por Epicuro, as escolas socráticas menores: os cínicos, cirenaicos e megáricos.

As questões voltadas para a física e lógica foram desenvolvidas pelo antigo estoicismo, já que tanto no médio, como também no novo, o interesse voltou-se quase que exclusivamente para a ética. Tanto para o médio, como também para o novo, entendia-se que se devia ser indiferente a todas as paixões, prazeres e dores, mas que mesmo sendo indiferente, havia algumas coisas que eram indiferentes, mas úteis, convenientes e preferíveis, e outras que eram inúteis, inconvenientes e não preferíveis. Como exemplo das primeiras, temos a saúde e a riqueza.

O estoicismo divide a filosofia em física, lógica e ética, mas há divergência entre os estoicos quanto a ordem em que tais divisões se sucedem. Apesar de todos concordarem que a culminância é a ética, alguns entendem que a ordem sucessiva seria física, lógica e ética, enquanto outros defendem que seria lógica, física e ética. Nas metáforas que temos para explicar esta divisão, algumas põe como o início a física e outras a lógica.

Temos a metáfora do jardim, no qual o muro que separa e divide o jardim é a lógica, as árvores ali dentro, a física, e os frutos destas árvores a ética. Temos a metáfora do ovo onde a lógica é a casca, a física a clara e a ética a gema. Temos a metáfora do animal onde a lógica são os ossos, a física a carne e a ética a alma. Todas estas colocando a ordem iniciando com a lógica e seguindo com a física e a ética.

Temos também a metáfora da árvore para explicar o que é a filosofia, onde a raíz representa a física (physis), a realidade e o cosmos. O tronco representa a lógica que embasa nosso pensamento. A copa representa a ética que apresenta o melhor modo de viver e de como se comportar perante si-mesmo e a sociedade. Deste modo, física, lógica e ética.

Não se aceitam ideias inatas. A criança ao nascer é uma tábula rasa, uma folha de papel em branco. Todo conhecimento é adquirido e provém do mundo externo. Não admitem a existência do mundo das ideias de Platão. Só existe o individual e os objetos particulares que são percebidos, não havendo o universal, como presente em Aristóteles.

O estoicismo nos traz uma filosofia com desenvolvimentos na física, lógica e ética, mas também traz um modo de vida e um modo de conceber o mundo, uma visão de mundo ou cosmovisão.

Para os estoicos cada um de nós, humanos, é um microcosmos, reflexo do macrocosmos. Defendiam a ideia de um direito natural, universalmente válido. O direito escrito é sempre imperfeito diante do direito natural. Defendiam um monismo, onde não viam diferença entre espírito (alma) e matéria, só haveria uma única natureza, negando também o mundo das ideias de Platão com a sua dualidade. Assumiam uma posição cosmopolita em relação às demais culturas e pessoas provenientes dos mais distintos povos. Mantinham um interesse por política e tivemos dentre os estoicos alguns estadistas e oradores famosos na Antiguidade, como podemos citar, dentre outros: Marco Aurélio, Cícero (106-43 a.C.) e Sêneca. Mas no estoicismo novo ou romano também encontramos a figura de destaque de um ex-escravo, Epicteto.

Segundo o pensamento dos estoicos, nada ocorre por acaso, todos os processos naturais são governados pela natureza, como é o caso das doenças e da morte. Cabe ao humano aceitar o destino que lhe é reservado. Defendiam o ideal de se ter sempre uma postura de tranquilidade diante do que a vida nos traz, sejam coisas boas ou más, evitando ser dominado pelos sentimentos e paixões do momento.

Tanto no Epicurismo, como no Estoicismo, temos pontos em comum a estas duas Escolas filosóficas. Ambas eliminam de seu arcabouço teórico qualquer forma de dualismo metafísico, assumindo um monismo materialista. Ambas combatem qualquer forma de inatismo e colocam a origem do conhecimento nas sensações. Ambas subordinam a investigação feita pela ciência e filosofia a um fim prático, a obtenção da felicidade. No caso do Estoicismo, cabe ainda citar que a ciência ajuda a proporcionar a obtenção da felicidade, bem como, a importância dada à virtude.

Esta Escola filosófica entende que não possuímos qualquer conhecimento prévio à experiência e que tudo que sabemos provém de nossas sensações. Entendem os estoicos que o universo é um animal vivente e racional, possuindo em si-mesmo o princípio de seu ser e de seu devir, sendo composto por uma alma (fogo, ar) que é o elemento ativo, e um corpo (água, terra) que é o elemento passivo. A alma do mundo possui uma natureza corpórea e penetra toda matéria existente. Deste modo, temos que os estoicos adotam um deus imanente que proporciona harmonia e ordem ao mundo, estamos diante de um tipo de panteísmo. Também adotam a tese do grande ano, no qual, completado o ciclo, tudo se destrói para novamente recomeçar. É a teoria do eterno retorno.

Cabe ao sábio vencer todas as paixões e viver conforme a razão. Cabe ao sábio ter auto-domínio a partir do uso de sua razão, entendendo que somente a virtude é o bem, e que o vício é o mal. Deve viver de modo a não ser perturbado por qualquer contingência externa e alheia ao seu controle. Tudo que acontece deve acontecer, pois, faz parte da providência divina que assim seja. Cabe ao sábio entender que tudo o que acontece é um bem, independente do que seja, deste modo, o sábio deve querer o que acontece e não, que aconteça o que ele quer. É isto que separa o sábio do louco. O louco é escravo de suas paixões e se preocupa com as coisas das quais não possui controle ou poder para mudar, buscando fugir de dores aparentes e buscar bens ilusórios. Há uma metáfora para exemplificar esta relação com o destino, no qual o curso da vida é simbolizado por um carro puxado por tração animal, que percorre uma estrada, e neste carro temos um cão amarrado, este cão representa o humano. O cão deve seguir o carro, pode até tentar ir contra a direção do carro, mas acabaria morrendo na tentativa (infarto, cansaço extremo, etc.). No entanto, cabe algumas pequenas variações no percurso e cabe também a decisão consciente de seguir junto ao carro do destino.

Os estoicos são contrários à escravidão, vendo-a como uma injustiça. Defendem a igualdade entre todos os homens, pois todos possuem o mesmo logos. Deste modo, negam que haja diferença entre gregos e outros povos ou entre senhores e escravos. Defendem também que todos devem ser membros de um Estado sem fronteiras ou distinções nacionais, apregoando um modo de cosmopolitismo. Cabe ao humano poder realizar-se integralmente, sua virtude e perfeição por meio de sua razão e sem o auxílio de algum deus ou divindade superior. Temos aqui um humano autônomo que de posse de sua razão não possui qualquer dependência com deuses ou religiões para o seu pleno desenvolvimento.

O Estoicismo põe sua ênfase na ética e também em uma finalidade universal. Entende a filosofia como exercício e estudo da virtude e considera o conhecimento como condição e meio necessário para a realização do humano.

Segundo Zenão, temos que a representação é a mão aberta, o assentimento a mão com os dedos contraídos, a compreensão a mão fechada, a ciência a mão fechada (punho) com a outra mão a enlaçando.

O mal encontra seu lugar no universo, pois sem ele não haveria o bem, o mal é necessário à harmonia universal, não haveria justiça se não houvesse a injustiça, não haveria verdade se não houvesse a mentira, estes contrários estão ligados entre si, de modo que não haveria um se não houvesse, também, o outro.

No tocante a liberdade humana em um universo determinado, esta se dá por meio do assentimento.

Cabe ao sábio eliminar de si as paixões (apatia) e buscar a imperturbabilidade (ataraxia). As paixões da alma são vícios e erros irracionais que devem ser evitados pelo sábio.

Temos no estoicismo uma postura cosmopolita que vislumbra um vínculo universal entre todos os humanos e se mostra, também contrária a escravidão, pois, mesmo se prevista em lei, é algo mal que deve ser combatido.

A perfeição humana se vincula a ideia de que os humanos estão ligados à natureza, e a virtude se dá pela subordinação à razão, devendo negar seus desejos e guiar sua vontade pela razão, observando a natureza, e, deste modo se direcionar para a felicidade. Sua ideia de uma providência veio posteriormente a influenciar o desenvolvimento do conceito de providência dentro do cristianismo. Tanto no estoicismo, como também no cristianismo, temos que tudo que existe obedece às normas de uma razão universal (logos divino).

Dentre dos princípios de sua doutrina, cabe destacar a ataraxia, autossuficiência, negação de sentimentos externos e uso da razão na solução de todos os problemas e situações da vida. Pode-se obter a felicidade por meio da ataraxia, ou seja, evitando as perturbações e buscando a tranquilidade e serenidade na vida. Pela autossuficiência busca-se alcançar a felicidade vivendo de acordo com a natureza humana, mantendo responsabilidade diante de sua vida. Cabe evitar sentimentos externos, tais como as paixões. Se render a tais sentimentos equivale a ser imparcial e irracional, entregando-se ao vício e a todos os males, prejudicando as decisões e o uso da razão. Tudo que ocorre em nossa vida deve ser solucionado por meio da razão, com calma e tranquilidade.

Para os estoicos o caminho da felicidade se dá por meio da virtude, considerada o único bem. Para tal cabe negar qualquer sentimento externo e ser indiferente ao prazer e a dor, entendendo que tudo é governado por uma razão universal. Os estoicos adotam um estado de indiferença (apatheia) diante do que possa acontecer na vida, e uma atitude cosmopolita.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

Site: www.doutorsilverio.com

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