Professor Doutor Silvério

Blog: "Comportamento Crítico"

Professor Doutor Silvério

Silvério da Costa Oliveira é Doutor em Psicologia Social - PhD, Psicólogo, Filósofo e Escritor.

(Doutorado em Psicologia Social; Mestrado em Psicologia; Psicólogo, Bacharel em Psicologia, Bacharel em Filosofia; Licenciatura Plena em Psicologia; Licenciatura Plena em Filosofia)

Sites na Internet – Doutor Silvério

1- Site: www.doutorsilverio.com

2- Blog 1 “Ser Escritor”: http://www.doutorsilverio.blogspot.com.br

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5- Blog 4 “O grande segredo: A história não contada do Brasil”

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7- Página no Face Book “Dr. Silvério”: https://www.facebook.com/drsilveriodacostaoliveira

8- Página no Face Book “O grande segredo: A história não contada do Brasil”

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10- Página no You Tube: http://www.youtube.com/user/drsilverio

11- Currículo na plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8416787875430721

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quarta-feira, 20 de julho de 2022

Escola Cirenaica ou Hedonista (1) * Escolas Socráticas Menores

 


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 A Escola Cirenaica, por vezes também conhecida por Escola Hedonista, foi fundada por Aristipo de Cirene (435-355 a.C.), discípulo do filósofo Sócrates. Tem este nome por ter sido fundada na cidade de Cirene, Líbia, no norte da África. Aristipo sofre influência de Sócrates e de Protágoras, o sofista. Nada restou dos escritos de Aristipo, nosso conhecimento sobre esta escola se deve a pensadores posteriores.

A escola cirenaica possui seu fundamental núcleo em três pessoas, Aristipo, o fundador da escola, Areta, sua filha, e Aristipo, seu neto. Como avô e neto tem o mesmo nome, este último ficou conhecido como Aristipo, o jovem. O conhecimento da escola foi passado de pai para a filha e desta para seu filho, sendo este o sistematizador do sistema de seu avô. Aristipo, o jovem, teve como filho Teodoro, o ateu, que negava a existência não só dos deuses, mas de qualquer divindade.

Para os membros da escola cirenaica o prazer é entendido como o único bem intrínseco, deste modo, entendiam que se devia não meramente evitar a dor, mas sim, ativamente buscar o prazer e este se daria por meio de sensações físicas agradáveis e momentâneas. Admitem, no entanto, que o prazer também pode ser obtido por meio de um comportamento altruísta. O prazer é o único bem na vida e a dor é o único mal.

O prazer ocorre no momento vivido, já a felicidade é o somatório do conjunto de prazeres ocorridos no passado, presente e futuro. O prazer sempre ocorre no momento presente, no aqui e agora. É preciso aprender a viver o prazer do breve momento em que este ocorre, sem se preocupar com o passado ou com o futuro. Para ser feliz é preciso saber apreciar o momento presente que se está vivendo. A virtude, por sua vez, se dá pela moderação dos prazeres, de modo a que estes não se transformem futuramente em fonte de dor.

Para Aristipo o prazer pode ser entendido como um movimento leve, a dor como um movimento violento e o êxtase como a ausência de movimento, não sendo este último considerado prazeroso ou desprazeroso. Aristipo combinava o hedonismo na ética, com o sensualismo e materialismo na teoria do conhecimento.

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terça-feira, 19 de julho de 2022

Escolas Socráticas Menores: Escola Cirenaica ou Hedonista

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Escola Cirenaica ou Hedonista – Aristipo de Cirene

 A Escola Cirenaica, por vezes também conhecida por Escola Hedonista, foi fundada por Aristipo de Cirene (435-355 a.C.), discípulo do filósofo Sócrates. Tem este nome por ter sido fundada na cidade de Cirene, Líbia, no norte da África. Aristipo sofre influência de Sócrates e de Protágoras, o sofista. Nada restou dos escritos de Aristipo, nosso conhecimento sobre esta escola se deve a pensadores posteriores.

 


De Aristipo sabemos ser discípulo de Sócrates, sobre a animosidade existente entre ele e Platão, sua ausência na morte de Sócrates narrada no diálogo Fédon, sobre sua presença na corte do rei Dionísio, o tirano de Siracusa, sobre cobrar por seus ensinamentos do mesmo modo que os sofistas faziam, seu gosto por luxo e também ficou famosa a relação com a prostituta Laís de Corinto, a bela.

A escola cirenaica possui seu fundamental núcleo em três pessoas, Aristipo, o fundador da escola, Areta, sua filha, e Aristipo, seu neto. Como avô e neto tem o mesmo nome, este último ficou conhecido como Aristipo, o jovem. O conhecimento da escola foi passado de pai para a filha e desta para seu filho, sendo este o sistematizador do sistema de seu avô. Aristipo, o jovem, teve como filho Teodoro, o ateu, que negava a existência não só dos deuses, mas de qualquer divindade. Os deuses seriam invenções humanas e aceitos por convenções sociais e tem como objetivo atemorizar os humanos que não são capazes de agir de acordo com sua razão. Depois de Aristipo, o jovem, a escola se dividiu em três correntes, cada qual com seus principais representantes.


 

O termo Cirenaicos fica restrito a Aristipo e seus seguidores diretos, temos os Hegesíacos, que são os seguidores de Hegesías, temos os Anicerios, que são os seguidores de Aníceris, e temos os Teodorios, que são os seguidores de Teodoro, o ateu. A escola tende a desaparecer, dando lugar a escola Epicurista, cuja temática há também de se dar sobre o prazer e a ética, mas de modo distinto das propostas da escola Cirenaica.

Enfocou uma ênfase nos estados subjetivos, se afastando da especulação. Para esta escola a ênfase maior se dá para a obtenção da felicidade, alcançada por meio do conhecimento, da moderação e da virtude.

Segundo a exposição de Sexto Empírico sobre a Escola Cirenaica, estes teriam interesse somente pela vida prática e os aspectos morais e éticos da filosofia de Sócrates, afastando-se da física e da lógica, uma vez que buscavam unicamente alcançar uma vida feliz, no entanto, ao dividirem a ética em cinco partes (1- os objetos a desejar e a fugir; 2- as sensações; 3- as ações; 4- as causas; 5- as demonstrações) tornam a reintroduzir, pois, a física está presente quando consideramos as causas, e a lógica está presente quando consideramos as demonstrações.

Ainda segundo Sexto Empírico, para os cirenaicos o único acesso a verdade se dá por meio das sensações, sendo que o verdadeiro é a sensação que percebemos, como, por exemplo, a cor branca de um objeto ou a doçura de algo que pomos na boca, mas não o objeto em si, aquele que produziu o que percebo como branco ou doce é para mim desconhecido, pois, não estão estes objetos livres de engano em meus julgamentos. Não há como afirmar que o objeto que produziu determinada sensação em mim seja idêntico a esta sensação, ou seja, não posso dizer que aquilo que percebo como doce seja realmente doce, e o mesmo vale para outras sensações, como a cor branca. Pessoas diferentes podem perceber o objeto de modos diferentes. Outra pessoa poderia perceber o que percebo como doce ou branco de modo distinto e diferente. Os fenômenos que percebemos enquanto percepções são todos verdadeiros, mas enquanto causas produtoras das impressões, são sujeitos ao erro.

O conhecimento se limita ao mundo físico do qual temos percepção e as nossas sensações subjetivas. Em virtude deste subjetivismo do conhecimento, todas as denominações existentes não passam de convenções sociais. Cada percepção da realidade é individual e não sujeita a comparação com a percepção de outra pessoa. Cada percepção é sensorialmente única para aquele indivíduo que a tem. Apesar de a referência para que possamos encontrar a verdade ser a nossa percepção, esta mesma percepção nada nos diz sobre a essência mesmo da coisa que percebemos e que produziu em nós esta sensação.

A escola cirenaica apresenta uma teoria do conhecimento sensualista, pois, a única fonte de conhecimento se dá por meio dos sentidos, e também subjetivista, pois, não existe conhecimento que não seja individual.

A Escola Cirenaica entende que a felicidade provém de nossas sensações, as quais podem nos proporcionar prazer ou dor, logo, devemos evitar as sensações que nos causam dor e favorecer o surgimento de sensações que nos proporcionem prazer, sendo este o objetivo da vida. A virtude, e o homem bom ou virtuoso, passam a ser identificados com a obtenção de prazer e a evitação da dor. Assim, o prazer é associado ao bem e o desprazer ao mal, além de um estágio intermediário de neutralidade. Em uma metáfora com o mar, quando este enfrenta uma tempestade e apresenta ondas enormes, temos o desprazer, já o prazer seria uma leve onda em um mar livre de tempestade e a neutralidade seria a calmaria. Vejamos neste exemplo que tanto o desprazer, como também o prazer, implicam em algum tipo de atividade e não de passividade. Os cirenaicos entendem que a felicidade consiste na obtenção do prazer e por sua vez, exemplificam o prazer como sendo um leve movimento enquanto que a dor é um movimento violento. Enquanto para os epicuristas o prazer seria algo estático (ausência de dor e sofrimento), aqui, para os cirenaicos, o prazer é algo dinâmico (prazeres físicos e sensoriais momentâneos).

O prazer ocorre no aqui e agora, no momento presente e não no passado ou no futuro. Com o passar do tempo não temos mais o prazer sentido, e sim a recordação do mesmo. Nisto há de se diferenciar da felicidade, a qual deve ser entendida como o somatório dos prazeres particulares, tanto presentes quanto passados e futuros. Esta escola não prega a subordinação total ou, ao contrário, a abstenção do prazer, e sim sua dominação e emprego, tendo o sujeito a autarquia sobre seu uso.

Para os membros da escola cirenaica o prazer é entendido como o único bem intrínseco, deste modo, entendiam que se devia não meramente evitar a dor, mas sim, ativamente buscar o prazer e este se daria por meio de sensações físicas agradáveis e momentâneas. Admitem, no entanto, que o prazer também pode ser obtido por meio de um comportamento altruísta. O prazer é o único bem na vida e a dor é o único mal.

Cabe atentar que algumas ações que possam proporcionar prazer de modo imediato, podem a seguir levar a dor e ao sofrimento e, portanto, devem ser evitadas. Cabe ao sábio saber distinguir entre os possíveis prazeres que se apresentam e estar no controle dos mesmos em vez de ser controlado por eles. Quando um determinado prazer momentâneo viola as leis e costumes do local onde se está, a obtenção deste prazer trará como consequência posterior a dor resultante de sofrer penalidades impostas pelo grupo social. Também cabe ressaltar que tanto a amizade, como também a justiça, tendem a serem úteis na medida em que proporcionam prazer. Qualquer comportamento social, ético ou altruísta, tem um componente hedonista que deve ser observado para que se busque o prazer e evite-se a dor e o sofrimento.

Cabe ao sábio saber dominar os prazeres e não se deixar dominar pelos mesmos. Os cirenaicos também se entendem como cosmopolitas. Nesta escola a física, lógica e matemática eram consideradas desnecessárias para o encontro do bem e da felicidade e, portanto, deixadas de lado.

O prazer ocorre no momento vivido, já a felicidade é o somatório do conjunto de prazeres ocorridos no passado, presente e futuro. O prazer sempre ocorre no momento presente, no aqui e agora. É preciso aprender a viver o prazer do breve momento em que este ocorre, sem se preocupar com o passado ou com o futuro. Para ser feliz é preciso saber apreciar o momento presente que se está vivendo. A virtude, por sua vez, se dá pela moderação dos prazeres, de modo a que estes não se transformem futuramente em fonte de dor.

Para Aristipo o prazer pode ser entendido como um movimento leve, a dor como um movimento violento e o êxtase como a ausência de movimento, não sendo este último considerado prazeroso ou desprazeroso. Aristipo combinava o hedonismo na ética, com o sensualismo e materialismo na teoria do conhecimento.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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quarta-feira, 13 de julho de 2022

Escola Megárica ou de Mégara (1) * Escolas Socráticas Menores

 


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 A Escola Megárica ou de Mégara foi fundada por Euclides de Mégara (444/435-369/365 a.C.), discípulo de Sócrates. Nesta escola temos uma abordagem que propõe juntar a ética presente no filósofo Sócrates com o monismo presente nos filósofos pré-socráticos, no caso específico dos eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso). Euclides traz dos eleatas a ideia do “um”, do monismo presente nesta escola, e de Sócrates a ideia de “Bem”.

Devido às preocupações desta escola com a lógica, se dedicaram ao desenvolvimento e aplicação da dialética, motivo pelo qual por vezes são chamados de erísticos (aqueles que praticam disputas; disputantes).

Euclides e sua escola tinham por base duvidar do testemunho obtido por meio dos sentidos (percepção) no tocante aos mesmos corresponderem a uma dada realidade objetiva, admitiam uma unidade absoluta ao estilo de Parmênides e Zenão e a igualavam ao bem, tendo este último conceito a partir da ideia de bem presente na filosofia de Sócrates. Do mesmo modo que os filósofos eleatas, consideram os sentidos enganosos, confiando exclusivamente no uso da razão e negando o movimento e mudança, bem como a pluralidade, afirmando a imutabilidade de todas as coisas. Também presente nesta escola temos os conceitos de liberdade, autocontrole e autossuficiência, que os aproximam dos cínicos.

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terça-feira, 12 de julho de 2022

Escolas Socráticas Menores: Escola Megárica ou de Mégara

  Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Escola Megárica ou de Mégara – Euclides de Mégara

 A Escola Megárica ou de Mégara foi fundada por Euclides de Mégara (444/435-369/365 a.C.), discípulo de Sócrates. A tradição nos informa que Euclides teria escrito seis diálogos, mas todos se perderam no curso da história, não chegando aos nossos dias. O pouco que conhecemos provém basicamente de Diógenes Laércio.

Morador da cidade de Mégara e ouvinte assíduo das aulas de Sócrates em Atenas (cerca de mais ou menos 40 km), conta-nos a tradição que quando Atenas adotou uma lei que proibia sob pena de morte a presença de cidadãos da cidade de Mégara em Atenas, Euclides saía a noite vestido de mulher e com um lenço cobrindo-lhe a face, percorria a distância entre as duas cidades para ouvir as lições do mestre, retornando pela manhã a sua cidade natal. A tradição também nos conta que após a morte de Sócrates, e temendo pela própria vida, os discípulos de Sócrates que residiam em Atenas buscaram refúgio e abrigo na casa de Euclides, na cidade de Mégara.

No decorrer da Idade Média foi comum o erro de confundir Euclides de Mégara com outro Euclides, o matemático Euclides de Alexandria (323-286 a.C.), este último autor do livro “Elementos”, de geometria e matemática.

 


Nesta escola temos uma abordagem que propõe juntar a ética presente no filósofo Sócrates com o monismo presente nos filósofos pré-socráticos, no caso específico dos eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso). Euclides traz dos eleatas a ideia do “um”, do monismo presente nesta escola, e de Sócrates a ideia de “Bem”, fazendo uma fusão entre ambas, deste modo, só haveria o bem e não o seu oposto. A unidade se daria no Bem. Daí a ênfase dada ao bem moral e a decisão da pessoa em alcança-lo. Euclides considera que o bem é uno e não múltiplo e que tudo que possa se contradizer ao bem é ilusório e inexistente.

O “um” presente no “ser” de Parmênides se iguala ao Bem em Sócrates, de modo a Euclides e sua escola afirmarem só haver um único bem, conhecido por vários nomes: sabedoria, razão, deus, mente e outros. Identifica o ser uno de Parmênides ao bem e também a verdade, a sabedoria, a inteligência, todos nomes distintos para uma mesma coisa. Negava a pluralidade, a mudança e o movimento das coisas. A verdade não pode ser conhecida pelos sentidos, somente pela razão.

Dois princípios básicos se encontram na escola megárica e são provenientes dos eleatas: 1- não existe o múltiplo, seja no mundo físico ou seja na formulação do mundo das ideias de Platão, 2- não existe o movimento e o devir.

Euclides e sua escola fazem uso da lógica e dialética tomando como referência a Zenão e o método dialético negativo, onde se propõe um raciocínio pautado não na refutação das premissas do adversário e sim na refutação da conclusão, mostrando que a suposta conclusão levaria a absurdos, redução ao absurdo. Os integrantes desta escola se dedicaram ao estudo da dialética, enigmas lógicos e paradoxos (como o paradoxo do mentiroso), vindo a influenciar o desenvolvimento da lógica estoica (lógica proposicional).


 

Devido às preocupações desta escola com a lógica, se dedicaram ao desenvolvimento e aplicação da dialética, motivo pelo qual por vezes são chamados de erísticos (aqueles que praticam disputas; disputantes).

Em suma, podemos dizer que Euclides e sua escola tinham por base duvidar do testemunho obtido por meio dos sentidos (percepção) no tocante aos mesmos corresponderem a uma dada realidade objetiva, admitiam uma unidade absoluta ao estilo de Parmênides e Zenão e a igualavam ao bem, tendo este último conceito a partir da ideia de bem presente na filosofia de Sócrates. Do mesmo modo que os filósofos eleatas, consideram os sentidos enganosos, confiando exclusivamente no uso da razão e negando o movimento e mudança, bem como a pluralidade, afirmando a imutabilidade de todas as coisas. Também presente nesta escola temos os conceitos de liberdade, autocontrole e autossuficiência, que os aproximam dos cínicos.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

Site: www.doutorsilverio.com

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quarta-feira, 6 de julho de 2022

Escolas de Elis e Eretria (1) * Escolas Socráticas Menores


 

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 Alguns discípulos se dedicaram a divulgar as ideias do mestre e outros fundaram suas próprias escolas, estas outras escolas de filosofia são chamadas de Escolas Socráticas Menores, em número de cinco, que alguns comentadores reduzem para quatro, fundindo a escola de Elis com a de Eretria, na chamada Escola Élico-Erétrica.

Apesar das diferenças, há uma concordância entre todas as Escolas socráticas menores e o pensamento do filósofo Sócrates, de que o maior bem que o humano pode se propor a atingir é a sabedoria. Em verdade, podemos entender que os discípulos de Sócrates priorizaram um ou outro de seu ensinamento ou de sua personalidade, afinal, o material a que temos acesso indica que a personalidade, o modo de ensinar e os ensinamentos de Sócrates não eram simples e sim bem complexos.

1- Escola de Élis – Fédon (século V e IV a.C.)

A Escola de Élis ou Elíaca foi fundada na cidade de Élis, por Fédon, discípulo de Sócrates e se aproxima teoricamente da abordagem empreendida por outra Escola, a Escola Megárica. Muito presente neste movimento temos a dialética. A tradição nos informa que Fédon foi autor de pelo menos duas obras, hoje perdidas, “Zopyro” e “Simón”. Há um diálogo de Platão que leva o nome de Fédon, no qual é narrada a prisão e morte de Sócrates.

Fédon dava grande valor ao poder reformador da educação e da virtude, tendo como exemplo a si mesmo (que foi da condição de escravo e prostituto, para a de filósofo) e Sócrates. A filosofia tem por objetivo a salvação e liberdade, já a virtude é igualada ao conhecimento enquanto ciência e sabedoria.

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: Escola de Eretria

Palavra-chave: educação / virtude

2- Escola de Eretria – Menedemo de Eretria (339/337-265/278 a.C.)

Fundada por Menedemo, discípulo de Estilpón (360-280 a.C.) e de Fédon, aborda como tema central a identidade da verdade e da virtude, bem como do verdadeiro com o bom, seguindo o pensamento socrático. O ser pode ser identificado ao bem, a virtude pode ser identificada a ciência. Entendia que existia uma única virtude, sendo esta a sabedoria, todas as demais virtudes que possamos imaginar são outros nomes para a mesma virtude, que é a sabedoria. Identifica o ser ao bem e priorizava o rigor da moral na conduta humana.

Sofre influência de: Sócrates – Escola de Élis

Influencia: Escola megárica

Palavra-chave: sabedoria / virtude

3- Escola megárica ou de Megara – Euclides de Mégara (450-340 a.C.)

Sofre influência de: Sócrates – Eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso)

Influencia: Cínicos e Estoicos

Palavra-chave: lógica

4- Escola Cirenaica ou Hedonista – Aristipo de Cirene (435-360 a.C.)

Sofre influência de: Sócrates - Protágoras

Influencia: Epicurismo

Palavra-chave: prazer

5- Escola Cínica – Antístenes (444-365/370 a.C.) e Diógenes de Sinope (413-324 a.C.)

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: cristianismo

Palavra-chave: ascetismo / desapego.

 

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terça-feira, 5 de julho de 2022

Escolas socráticas menores: Escolas de Elis e Eretria

 Por: Silvério da Costa Oliveira.

 Escolas de Elis e Eretria - Escolas socráticas menores

 Escolas socráticas menores

Após a morte de Sócrates, seu pensamento continuou a influenciar a evolução da filosofia em Grécia. Sócrates nada escreveu, suas aulas eram orais e o aprendizado se dava, também, pela observação que seus discípulos faziam de sua vida e dos debates públicos nos quais se envolvia aleatoriamente na cidade de Atenas. Os principais socráticos são considerados como sendo Platão, e mesmo Aristóteles, mas há outros também importantes. Alguns se dedicaram a divulgar as ideias do mestre e outros fundaram suas próprias escolas, estas outras escolas de filosofia são chamadas de Escolas Socráticas Menores, em número de cinco, que alguns comentadores reduzem para quatro, fundindo a escola de Elis com a de Eretria, na chamada Escola Élico-Erétrica.

Apesar das diferenças, há uma concordância entre todas as Escolas socráticas menores e o pensamento do filósofo Sócrates, de que o maior bem que o humano pode se propor a atingir é a sabedoria. Em verdade, podemos entender que os discípulos de Sócrates priorizaram um ou outro de seu ensinamento ou de sua personalidade, afinal, o material a que temos acesso indica que a personalidade, o modo de ensinar e os ensinamentos de Sócrates não eram simples e sim bem complexos.


 

 

1- Escola de Élis – Fédon (século V e IV a.C.)

A Escola de Élis ou Elíaca foi fundada na cidade de Élis, por Fédon, discípulo de Sócrates e se aproxima teoricamente da abordagem empreendida por outra Escola, a Escola Megárica. Muito presente neste movimento temos a dialética. A tradição nos informa que Fédon foi autor de pelo menos duas obras, hoje perdidas, “Zopyro” e “Simón”. Há um diálogo de Platão que leva o nome de Fédon, no qual é narrada a prisão e morte de Sócrates.

Fédon pertencia a classe alta de sua cidade, mas durante uma das guerras entre os próprios gregos, foi capturado e vendido como escravo, tendo sido liberto por Sócrates, de quem se tornou discípulo. Após a morte de Sócrates, na qual esteve presente, retornou a sua cidade natal, Élis, onde fundou uma escola de filosofia, a qual mais tarde foi transferida para a cidade de Eretria por um de seus discípulos, Menedemo. Há comentadores que juntam as duas escolas sob o nome de escola Élico-Erétrica.

Com relação a Escola de filosofia de Élis e sua continuação em Eretria, pouco ou quase nada sabemos, bem como sobre as ideias defendidas na escola, mas especula-se que os temas eram tratados de modo similar ao adotado por seu mestre, Sócrates. Neste caso, a escola teria mantido uma abordagem eminentemente ética, na qual daria destaque ao valor da virtude.

Fédon dava grande valor ao poder reformador da educação e da virtude, tendo como exemplo a si mesmo (que foi da condição de escravo e prostituto, para a de filósofo) e Sócrates. A filosofia tem por objetivo a salvação e liberdade, já a virtude é igualada ao conhecimento enquanto ciência e sabedoria.

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: Escola de Eretria

Palavra-chave: educação / virtude

 

2- Escola de Eretria – Menedemo de Eretria (339/337-265/278 a.C.)

Fundada por Menedemo, discípulo de Estilpón (360-280 a.C.) e de Fédon, aborda como tema central a identidade da verdade e da virtude, bem como do verdadeiro com o bom, seguindo o pensamento socrático. O ser pode ser identificado ao bem, a virtude pode ser identificada a ciência. Entendia que existia uma única virtude, sendo esta a sabedoria, todas as demais virtudes que possamos imaginar são outros nomes para a mesma virtude, que é a sabedoria. Identifica o ser ao bem e priorizava o rigor da moral na conduta humana.

Do mesmo modo que acontece com a Escola de Élis, da qual esta é continuadora, pouco ou quase nada sabemos sobre suas doutrinas, mas admite-se que se assemelhava a filosofia praticada por Sócrates, dando ênfase à dialética.

Sofre influência de: Sócrates – Escola de Élis

Influencia: Escola megárica

Palavra-chave: sabedoria / virtude

 

3- Escola megárica ou de Megara – Euclides de Mégara (450-340 a.C.)

Fundada por Euclides. Só existe o Bem e nada mais. Não podemos conhecer a verdade pelos sentidos (estes são enganosos, ilusão), somente pela razão. Afirma a não existência do múltiplo/pluralidade, do movimento, da mudança e do devir (Parmênides e Zenão), afirma a imutabilidade de tudo. Prioriza o bem, a virtude, a ética (Sócrates). Nega a existência do mundo das ideias de Platão. Temos presente os conceitos de liberdade, autocontrole e autossuficiência, que os aproximam dos cínicos. Temos o desenvolvimento da lógica, dialética e eurística (debates, disputas) estudo de paradoxos e enigmas lógicos, redução ao absurdo, lógica proposicional, influencia na lógica estóica.

Sofre influência de: Sócrates – Eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso)

Influencia: Cínicos e Estoicos

Palavra-chave: lógica

 

4- Escola Cirenaica ou Hedonista – Aristipo de Cirene (435-360 a.C.)

Fundada por Aristipo. Defende o cosmopolitismo. Entende que conhecemos somente as nossas percepções e que aquilo que percebo (doce, amargo, branco, preto) não é o próprio objeto, pois pessoas diferentes podem ter percepções diferentes de um mesmo objeto. São subjetivistas, sensualistas e materialistas. Entende que a felicidade é o somatório dos momentos de prazer no presente, passado e futuro, já o prazer é momentâneo e vinculado às sensações. Propõe a busca do prazer e a evitação da dor. O prazer é o único bem na vida e a dor é o único mal. O prazer é entendido como o bem supremo. A virtude se encontra na moderação dos prazeres, para que estes não se transformem no futuro em motivo de dor.

Sofre influência de: Sócrates - Protágoras

Influencia: Epicurismo

Palavra-chave: prazer

 

5- Escola Cínica – Antístenes (444-365/370 a.C.) e Diógenes de Sinope (413-324 a.C.)

Fundada por Antístenes e Diógenes. Contrários à escravidão, defendem o cosmopolitismo e total autarquia (autossuficiência moral), buscam a felicidade pelo desapego de todas as coisas desnecessárias para viver. Propõe uma vida ascética (disciplina e autocontrole, do corpo e mente), livre do luxo, das paixões e da riqueza. Busca a liberdade e independência.

Sofre influência de: Sócrates

Influencia: cristianismo

Palavra-chave: ascetismo / desapego.

 Silvério da Costa Oliveira.

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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